Tantas impossibilidades

Comecei a comentar minha ideia com amigos e familiares. E essa foi a razão para só em 2013 deixar que Shamira entrasse em minha vida. Vivendo numa periferia de uma capital em que quase todo mundo que a gente conhece foi assaltado pelo menos uma vez, a ideia de que eu seria roubada e morta foi dada como certa. Principalmente por ser mulher. Um colega de trabalho na época chegou a me garantir que logo na primeira vez em que eu voltasse do trabalho para casa pedalando seria assaltada. Assim, de cara.

E se eu não virasse estrelinha durante um assalto, seria no trânsito. Maluco e impossível. Alguns motoristas até chegaram a me dizer o quanto odiavam ciclistas, e que não tinha essa de distância mínima: eles que fossem para a calçada ou seriam atropelados sem dó nem piedade. Além de mais uma razão para ter medo de comprar a bicicleta, comecei a ter medo de alguns desses conhecidos.

Terceira razão para esta jornalista vegetariana afastar essa vontade maluca da cabeça: é muito longe. Na cabeça de quem não anda de bicicleta ou mesmo a pé, tudo é distante. E eu não conseguiria. Simples assim: não vai, porque você não consegue.

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3 comentários sobre “Tantas impossibilidades

  1. Sem dúvida estamos bem longe de viver numa sociedade minimamente civilizada, mas a gente deixa o medo virar pânico…

    Algumas precauções básicas eliminam boa parte dos riscos…

    Conhecer pessoas que façam o mesmo trajeto no mesmo horário é uma das melhores medidas para andar em segurança, temos diversos relatos noticiados de gente que tá pedalando, chega outra do lado, e outra, e outra… Quando você vai ver tem umas 5 ou 6 pessoas pedalando, conversando e rindo..

    Para que eliminemos este risco, precisamos tomar a cidade pra gente, por isso é tão importante estimular que as pessoas saiam das suas caixas de ferro e das de concreto, apoderem-se da rua, uma rua ocupada é uma rua segura.

    Sempre é legal a gente manter o contato com outros ciclistas, perguntar se alguém conhece um caminho melhor, já sondar se há alguma oficina de bike no caminho para caso um pneu baixe ou coisa do tipo… O medo pode ser benéfico quando usado como prudência e precaução, mas ele é completamente nocivo quando é usado como pânico e pavor…

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    • É verdade, Gilfran, Sempre busco tomar precauções e cada vez menos sinto menos medo e mais segurança. Essa de sempre perguntar sobre trajetos é algo que sempre me ajuda, porque às vezes tenho um caminho na cabeça e descubro por ciclistas mais experientes que há outro melhor, seja por ser com trânsito mais tranquilo, ou por ter mais passantes reduzindo o risco de assaltos. Não deixo de tomar cuidado, apenas percebo que com as devidas precauções não há porque deixar a Shamira criar teia de aranha.

      Obrigada pelo comentário e volte sempre por aqui! 😉

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