Uma gatinha chamada Ciclovia

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Sabe, a bicicleta trouxe tanta coisa boa para a minha vida, mas por essa eu realmente não esperava. Algumas semanas antes do carnaval eu estava pedalando rumo a um mini curso de desenho quando, na Ciclovia da Mister Hull, vi algo pequeno, branco com manchinhas pretas, e que não se mexia. Era uma gatinha. Na frente dela, um saco plástico com um pouco de comida de panela, mas era óbvio que ela estava fraca e não conseguia comer. E com aquela quantidade de carros passando dos dois lados da avenida, eu tinha certeza que a coitadinha não teria a menor chance.

Parei a bicicleta a alguns metros. Olhei pra ela e pensei: “Não, Sheryda. Você já tem quatro gatos”. Virei pra frente e pedalei mais um pouco. Parei de novo. Olhei pra trás. “Sheryda, você tem quatro gatos e está desempregada”! Vi os carros, vi a gatinha…

“Ora, que se dane”!

Voltei e coloquei a pequena subnutrida e sarnenta dentro do meu cestinho. Levei para o curso e ela ficou encolhida num canto o tempo todo. Pelo celular, avisei ao marido que estava levando uma nova hóspede.

Falei com a veterinária da família ^^ e avisei que levaria uma moça carente pra uma consulta no dia seguinte. Ela me aconselhou a não deixá-la perto dos meus outros filhos pelo menos antes de saber se não tinha nada contagioso. Minha vizinha deixou que a pequena passasse a noite lá e, no dia seguinte, levamos a gata à veterinária. Ela no meu cestinho, mais uma vez e marido acompanhando na Lanterna. Lá, a doutora disse que ela estava bem, que só precisava ser tratada da sarna e ser vermifugada, e que em alguns dias estaria forte e bonita para a adoção. Eu prometi ao marido que não teríamos o quinto filho, e que aquilo era apenas para não deixar a pequena morrer na rua.

Felizes, levamos os medicamentos pra casa e o leite próprio para filhotes, pois ela provavelmente ainda não tinha desmamado. Sabíamos que as economias estavam acabando, mas a gente ia fazer o que? Tinha que cuidar da felina (se o meu pai ler isto, ele me mata). Em casa, demos banho com sabonete medicinal e usamos a seringa para alimentá-la a cada duas horas. Como havia muita sujeira no pêlo e crostas por causa da sarna, tentava limpá-la de vez em quando com soro fisiológico.

 

Ciclovia quando chegou

Ciclovia quando chegou, já banhada

 

Mas, alguns dias depois, percebemos que a pequena estava muito fraca e que não fazia coisas de gato, como se lamber e brincar. A única coisa era ronronar muito alto e fazer o movimento com as mãos típico de filhotes que ainda mamam.

Levei novamente à veterinária e foi direto para o soro, ou morreria. E eu já estava querendo chorar de medo de perder a pequenininha. Depois de quase uma hora no soro, ela já demonstrou estar melhor, lambendo mãozinha e querendo sair da mesa. E eu com esperança crescendo, mas tentando não sonhar alto demais. Mas ela ainda corria riscos, pois não demonstrava sinal de querer comer ou tomar água, o que é fatal para os gatos. Tinha que internar. E as despesas aumentavam, mas eu pensava que, talvez, o universo devolvesse pra gente aquela boa ação. Devolvendo ou não, a gente não ia deixar a pequena nas ruas para apodrecer doente.

Depois de dois dias, a veterinária avisa que a gatinha da ciclovia teria alta, pois havia comido, tomado água e feito suas necessidades. Mas passaríamos o carnaval observando e dando remédios, pois foi detectada uma infecção. Fomos buscá-la felizes e, já em casa, demos muito carinho e tudo o que ela precisava.

De lá pra cá vimos Ciclovia (de tanto chamá-la de gatinha da ciclovia, o nome pegou) melhorar a cada dia. Cresceu, aprendeu a se limpar e a usar a caixinha de areia, se alimenta bastante e toma muita água. A sarna sumiu e o pêlo foi ficando cada vez mais lindo, e com a alimentação, os ossinhos foram cobertos e ela ganhou peso. Também percebemos que, se achávamos nossos filhos danados, Ciclovia coloca os quatro no chinelo. A gata é elétrica, adora brincar pela casa com os outros e aprontar muitas confusões. Tipo um bicho de filme da Sessão da Tarde. Claro que, depois de tudo isso nós nos apaixonamos e desistimos de disponibilizá-la para a adoção, e por iniciativa do marido 🙂

Olha que fofa apagando minha matéria ^^

Olha que fofa apagando minha matéria ^^

O que foi isso?

O que foi isso?

Ganhando carinho da irmã

Ganhando carinho da irmã

E sabe aquilo de que o universo devolveria? Pois é, depois de gastar muito, após o carnaval surgiram oportunidades para marido e eu. Ele está experimentando novas áreas profissionais e eu consegui um emprego como repórter no caderno de sustentabilidade num jornal local. Isso não quer dizer que estejamos com folga, afinal, estamos saindo de um momento difícil em passos de formiga (e ainda sou jornalista). Mas pelo menos vamos nos recuperar.

Cirurgia 

Quando tudo parecia bem, percebi que Ciclovia estava com um inchaço estranho perto da pata dianteira esquerda. Apesar de não demonstrar sinal de dor e fazer suas atividades normalmente (inclusive as de destruir a casa), aquele inchaço não estava normal. Então a levei mais uma vez na veterinária e ela foi diagnosticada com uma hérnia diafragmática, que é quando o diafragma rompe e alguns órgãos entram pela fenda.

Agora ela terá que passar por uma cirurgia delicada e novamente teremos muitas despesas com transporte, exames, e o próprio valor da cirurgia.  Mas o pior é o medo de perder essa coisinha pentelha pela qual nos apaixonamos. Também tem a pena por ela já ter passado por tanta coisa e ainda ter que encarar mais essa. Estamos com o coração apertado, mas continuo torcendo para que o universo nos ajude. Torça você também, por favor.

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Um abraço e vamos pedalar.

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Um comentário sobre “Uma gatinha chamada Ciclovia

  1. Pingback: Atualizando – Saga da gatinha Ciclovia | De bike na cidade

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