Túnel

Túnel avenida José Bastos Fortaleza De Bike na Cidade by Sheryda Lopes (2)

Gente, algumas coisas que acontecem comigo só podem ser sinais de que estou no caminho certo. Que andar de bicicleta foi uma escolha certeira e que devo continuar contando para vocês sobre as minhas experiências.

Já falei aqui que às vezes preciso passar por um túnel que fica na avenida José Bastos e que é muito sinistro. Além de ser meio escuro e bastante sujo, não há rampas para descer pedalando ou empurrando a bicicleta então é necessário pegar a bike e carregar ao descer ou subir um lance de escadas íngreme e de altura razoável. Se você acha que isso é difícil, imagine então para um cadeirante. Acessibilidade zero.

Sempre procuro passar por esse trecho o mais rápido possível e bastante atenta. Qualquer movimento suspeito e eu mudo meu caminho. Minha bicicleta não é pesada, mas os aros são muito grandes, então às vezes sinto medo de desequilibrar e cair. Mas, no geral, consigo passar sem problemas.

Certo dia, eis que eu vou me aproximando do bendito túnel já observando ao redor. Atravesso a rua, desmonto da bike e a levanto.Depois, começo a descer as escadas. Num instantinho já estou lá embaixo e quando me preparo para ir embora, olho para trás.

Um idoso com uma bicicleta Monark Barra Circular cheia de carga se depara com as escadas e tenta descer sozinho. Gente, mas ele ia cair bonito, com certeza. Porque tinha carga dos dois lados do guidão, no quadro e na garupa, e eram sacos enormes e muito pesados. Não sei bem o que tinha ali, mas parecia ser roupas e alimentos.

Aí eu não consegui deixar ele sozinho nessa não. Imaginem se o coitado se machuca e fica ali, vulnerável e sem ninguém para ajudá-lo? Ou se derruba a bicicleta e perde a mercadoria? Sinceramente, ele não me deu medo e eu não vi outra opção a não ser a da solidariedade. Foi muito instintivo.

Encostei a minha bicicleta e pedi a ele para esperar. Aí subi a escada correndo, peguei umas duas das sacolas pesadíssimas, desci as escadas e coloquei na minha bicicleta. Depois subi de novo e ajudei ele a descer a Monark, que de tão pesada parecia mais uma moto rsrsrs.

Quando terminamos a descida, peguei as sacolas e o ajudei a colocá-las de volta. Foi tudo num ritmo tipo Olimpíadas do Faustão, porque eu realmente queria que a gente saísse logo dali.

Terminada a tarefa, ele me agradeceu meio rindo, provavelmente achando (e com muita razão) que eu não tenho juízo. Já eu, disse um “de nada” e subi na Shamira.

E saímos os dois.

Túnel avenida José Bastos Fortaleza De Bike na Cidade by Sheryda Lopes (1)

 

Quero deixar bem claro que eu não pedalo por aí que nem a Meg Ryan no filme Cidades dos Anjos, de olhos fechados e braços abertos. Já fiquei cabreira várias vezes em meus caminhos, ignorei puxada de conversa suspeita e entrei em ruas que não pretendia só para passar longe de alguém de comportamento, ao meu ver, suspeito.

A minha intenção, contando esses causos, não é fazer vocês crerem que não existe violência em nossa cidade e muito menos me fazer de santa. Apenas venho seguindo meus instintos, e eles tem me mostrado que existe sim, razão para sermos solidários e gentis. Isso também ajuda o universo a nos devolver essas graças, fazendo a gente sorrir um pouco e deixando nossa vida um pouco mais leve.  😉

 

Um abraço e vamos pedalar!

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6 comentários sobre “Túnel

  1. Uma vez eu passei por esse túnel indo pra Etufor. Tinha colocado a rota a pé no google maps e ele indicava uma travessia da José Bastos por aí. Pelo mapa eu tava crente que era uma rua, quando vi, era uma escada hahahahahha

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