“VAI PRA CICLOVIA”!!

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Foto: Gabo Morales/Folhapress

Dia desses eu estava voltando para casa de bicicleta por uma avenida muito movimentada. Era hora do rush então, tomava bastante cuidado pois havia motoristas estressados, embora o trânsito parado permitisse várias vezes que eu os ultrapassasse sem maiores problemas.

Em dado momento, o sinal fechou e eu aproveitei para descansar com o pé apoiado no canteiro central (em avenidas eu quase sempre vou pelo meio ao invés de pegar a faixa da direita, mas muitos ciclistas discordam dessa prática. Em outro post eu explico o porquê da minha escolha). Parei ao lado de um carro e o motorista me viu e comentou, de forma gentil:

– Seria muito bom se tivesse uma rua só para vocês, né?

Olhei para ele e respondi, sorrindo, sem pensar:

– Nossa, seria maravilhoso!

Aí ele pareceu ter ficado um pouco surpreso por eu responder ou ser gentil, não sei bem. Então o sinal abriu e nós partimos.

Depois fiquei lembrando desse breve diálogo e pensando se dei a resposta certa. Principalmente depois que vi a Karinne Góis, ciclista aqui de Fortaleza que foi atropelada recentemente por uma van, ter puxado no Facebook a importância de mais educação para os motoristas, motociclistas e ciclistas.  Educação para quê? Para que todo mundo aprendesse a compartilhar as ruas.

Pois é para pensar mesmo. Já passei por vários momentos de estar numa avenida com ciclovia, porém ela estava intransitável. A Humberto Monte, por exemplo, é cheia de problemas, principalmente o lixo que é depositado nela e que inclui vidro, madeira, restos de poda e material de construção. Sempre que passo por lá está cheia dessas armadilhas (tenho visto garis limpando com muita freqüência, mas infelizmente não é suficiente). Já até falei de como resto de construção é um negócio traiçoeiro, e como quase caí uma vez. Aí quando preciso vou pelo asfalto, porque eu simplesmente não vou meter minha bike no meio do vidro, arriscando furar pneu ou me machucar seriamente. Desculpa, mas não vou mesmo.

Também já ocorreu de passar por trechos escuros de uma ciclovia e por medo de haver ladrões escondidos eu sair temporariamente da via exclusiva e ir para o asfalto. Nesse último caso, mesmo com a pista livre, um motorista resolveu que um jeito didático de me educar é jogar o carro em cima de mim e gritar: “VAI PRA CICLOVIA”! Fora buzinadas em cima da bike e outras formas gentis que o povo elegeu para nos assustar ou melhor, “nos pôr em nosso lugar”.

Também já vi uma motorista dizendo no Facebook que a ciclovia da avenida Mister Hull estava “em perfeitas condições”, mas que os ciclistas mesmo assim “não querem usar e ficam atrapalhando o trânsito”.

Se esses motoristas soubessem que a rua deve ser compartilhada, e mais que isso, que minha vida é mais importante que uma lição de moral ou demonstração de poder, #foulcaltfeelings, não teriam feito isso. Apenas se preocupariam em não me assustar ou não me machucar e passariam a pelo menos 1,5 m de distância, como manda o Código de Trânsito.

Numa realidade talvez ainda distante, eles fariam mais que isso: se colocariam em meu lugar e pensariam: “com essa ciclovia enorme aí do lado, porque ela insiste em ficar perto dos carros”? E talvez observassem melhor aquele espaço e percebessem que o pavimento da maioria das ciclovias mata o desempenho das bicicletas fazendo a gente se esforçar mais que o necessário. Ou que há buracos em todo canto. Ou que em alguns pontos à noite fica mais escuro que a Batcaverna. Ou que tem lixo e vidro. E que muitos pontos alagam diante de qualquer sereno. Ou que… péra! Aquilo ali é um gato morto apodrecendo?

Assim, talvez eu devesse ter respondido ao motorista no semáforo que bom mesmo seria se todos nós soubéssemos compartilhar as ruas. Mas aí talvez ele não me entendesse e ficasse zangado comigo, fosse me chamar de ciclista antipática no Facebook ou até me agredisse, sei lá…

Então, já que nem sempre dá pra explicar aos motoristas porque a gente não foi para a ciclovia, gostaria de pedir a você, que dirige e talvez tenha chegado aqui no bloguinho até sem querer: tenha um pouco de empatia e tente entender o nosso lado, ok? Ah! E mantenha 1,5 m de distância, por favor. 😉

Não sabe o que é empatia? Este vídeo explica bem direitinho. Dica da querida amiga Li.

Um abraço e vamos pedalar!

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