Não é só mais um look – saia azul plissada e camisa branca

Look Cycle Chic Saia azul plissada e camisa branca bordada (1)

Foto: Pâmela Soares

Depois de um tempinho sem pedalar, finalmente um look! Juro que estava com saudade de fotografá-los. Nesse a Shamira não aparece porque eu a deixei algumas noites na chuva e a corrente está enferrujada. ^^’ Aí peguei a Lanterna do maridão.

E vamos ao figurino. A saia vocês provavelmente já conhecem, pois é uma das minhas prediletas. Ela é feita de um tecido leve, que não fica úmido de suor, e permite que eu pedale tranquilamente. E para não ficar tão previsível e cara de colegial, escolhi uma camisa leve de algodão que ganhei da minha sogra e que tem uns bordados fofinhos (o diferencial é o bordado, entendeu?). Aliás, acho lindo esse trabalho, que antes só aparecia em pano de prato e chegou à moda por influência da Zuzu Angel. #diva

A camisa, além de dar uma cara de menininha vintage, é confortável. Muito leve e fresquinha, ela não fica úmida de suor. E quando fica (depois de tantos dias parada, acabei suando mais que o normal) seca rapidinho. Inclusive, nem usei blusinha regata por baixo, só mesmo um top de academia no lugar do sutiã. Também adoro a referência nordestina que ela resgata, de nossas feiras de artesanato.

Look Cycle Chic Saia azul plissada e camisa branca bordada (2)

Já a saia, é do meu modelo preferido, porque acho chique, clássica e muito extrovertida. Confesso que isso se deve, principalmente, porque as minhas referências para este look são de desenho animado e/ou quadrinhos. As meninas (e meninos também que eu sei) que curtem anime devem lembrar da Sailor Moon e suas amigas, né? Ninguém nunca-na-história-desse-país usou saia plissada (ou seria de pregas) com tanta competência e sem mostrar a calcinha como elas. Eu, que não tenho o poder do prisma lunar, boto um shortinho por baixo mesmo.

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Outra diva da ação é a Louis Lane, que no desenho exibido no SBT usava um terninho com uma saia muito chique e parecida com esse modelo. Bem apropriada para as pautas babado que ela cobria, voando por aí com o Super Homem. Gente, como mete o pé na carreira sempre que um alienígena aparece usando saia lápis? Difícil.

loislane

E a terceira referência desta blogueira é a Super Girl, que apesar de não ser minha heroína preferida, também usava saia que lembra uniforme colegial. Nunca esqueci do figurino da personagem, principalmente no filme dos anos 80 que era exibido no Cinema em Casa, no SBT. Lembram? Nos anos 90 o pessoal foi encurtando a roupa dela até que a coitada ficasse praticamente nua nos quadrinhos, acho que por isso prefiro o filme, com efeitos toscos e tudo.

supergirl

Super

Mas, por que será que, de repente vieram tantas referências desse tipo? Acho que porque no dia em que tirei essas fotos, tinha passado por maus bocados no trânsito, com direito a ameaças de motoristas de ônibus e fechadas de taxistas (nessa, inclusive, quase caí e me machuquei feio). Fiquei abalada, afinal, uso a bicicleta justamente na intenção de ter uma forma mais humana de me locomover e me relacionar com minha cidade. E por mais positiva que eu seja, tem horas que essas coisas abalam, não tem jeito.

Para piorar, soube que, na mesma semana, a querida Dani Roste, do Blumenau Bike Style, foi atropelada enquanto pedalava. Embora os ferimentos não tenham sido graves, como ela mesma relatou em seu blog, o fato em si foi bastante grave.

Mas, assim como eu, a Dani vai continuar com sua bicicleta gêmea da Shamira. Isso porque a gente sabe o que quer para nós e para nossas cidades. Mas não vou dizer para vocês que não é difícil engolir o medo e  a humilhação e botar a bike na rua de novo. Nessa hora, acho que temos que bancar super heroínas, vestir nossos looks e mostrar a que viemos e que temos direito sim, às ruas.

Espero que isso mude um dia, e que não seja mais necessário ter que bancar o super herói e sair como se tivesse de “enfrentar” outras pessoas no trânsito. Não acho que motoristas e ciclistas devam ser vistos como vilões uns dos outros, e sim parceiros por uma cidade mais pacífica e de um trânsito menos cruel. Inclusive, a bicicleta ajuda motoristas de ônibus e seus passageiros, afinal, um ciclista na rua é um assento livre a mais no ônibus lotado. Já pensou nisso?

Inclusive, saiu uma matéria esta semana sobre um treinamento pelo qual motoristas de ônibus aqui de Fortaleza estão passando. O objetivo é mostrar a eles como devem se portar próximos aos ciclistas e motociclistas e também saber como eles se sentem. Por coincidência, a empresa é a Vega, a mesma onde trabalha os dois motoristas que me ameaçaram nos últimos dias. Torcer para esse treinamento ser realmente efetivo e mais: que vire exigência para todas as empresas da cidade.

Esperança

Vivencio com muita frequência grandes exemplos de bondade e cortesia enquanto pedalo, e tenho certeza de que eles podem ser multiplicados. Inclusive, no mesmo dia em que sofri muitas violências, já à noite, enquanto voltava para casa, algo despertou de novo a esperança: Parei ao lado de um ônibus no sinal vermelho e vi que ele ia entrar à esquerda no próximo cruzamento, assim como eu. Estava tão desanimada, que ia desistindo de avisá-lo do meu trajeto (apesar de isso não ser necessário, afinal, a preferência era minha) mas acabei falando com ele.

Nesse momento, para minha surpresa, ele disse: “Tudo bem! Pode deixar que eu vou tomar cuidado! A GENTE TEM QUE CUIDAR UNS DOS OUTROS, NÉ”? Aí ele me disse para passar na frente, estacionou atrás de mim, esperou que eu completasse a curva e só depois passou, me protegendo dos carros que vinham atrás.

Já do outro lado da rua, dei tchau para o motorista que reaqueceu meu coração depois de um dia triste, e ele me deu tchau também, e ainda buzinou de leve. Aquela buzinada simpática, que às vezes não ouvimos diante de tantas que expressam impaciência e raiva no cotidiano.

“A gente tem que cuidar uns dos outros”. É desse projeto que participo e no qual creio.

Dani, querida, um grande beijo pra ti! Vamos seguindo.

E para vocês, queridos leitores, o de sempre, mas não menos importante:

Um abraço e vamos pedalar!

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3 comentários sobre “Não é só mais um look – saia azul plissada e camisa branca

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