Quando um homem ensina a uma mulher… o que ela já sabe

Esta semana conversei com um homem que devia ter entre 50 e 60 anos. Contei que tinha um blog, e que nele eu falava sobre ciclismo urbano aqui em Fortaleza. Então ele me falou de passeios noturnos que sempre via passando pelas ruas, antes de soltar o seguinte ensinamento:

– Você sabe que a mulher anda de bicicleta porque vai na onda do homem, né?

Ao que eu, instintivamente, respondi, meio estupefata diante de tal asneira:

– Não é não.

– É sim.

– É não.

– É sim.

Sem paciência ou condições de argumentar questões de gênero com ele, tentei prossegui com os assuntos que tinha ido resolver (tratava-se de um consultor em uma empresa). Até fiquei orgulhosa de mim por não ter sido grosseira, o que não teria sido construtivo. Mas claro, fiquei super incomodada com a conversa.

“A mulher”. Por que não “VOCÊS mulheres”? Quantas vezes alguém generaliza o que somos como se não fizéssemos parte desse grupo? E quantas vezes um homem já tentou me ensinar o que é ser mulher, como se eu não soubesse melhor que ele? Nossa, já perdi as contas, mas não me acostumo.

E quando somos nós, mulheres que fazemos isso com nós mesmas? Colocamos estereótipos, falamos sobre como somos menos capazes ou vitimistas, como não nos “damos valor”, mas sempre falando de algo distante de nós. “A mulher não sabe fazer essas coisas”. A mulher isso. A mulher aquilo.

Por um lado, isso me deixa contente. Porque acho que quando uma mulher fala assim, em terceira pessoa, é porque não se reconhece naquilo. Imagine a mesma que diz “Hoje em dia as mulheres estão mais preguiçosas” dizendo: “Nós mulheres somos mais preguiçosas”. Ela provavelmente não fará isso, porque não se vê como preguiçosa. Só o que lhe falta é um senso de coletividade, de entender que é mulher também, e que as regras e rótulos que são cagados para nós, todos os dias, também valem para ela. E que ela própria é uma prova de que esses padrões não são verdadeiros, e que somos todas diferentes, embora com muita coisa em comum.

Só quis compartilhar essa reflexão com vocês, nesta bela manhã de quarta-feira. Talvez por ter ficado com alguns sapos entalados na garganta e pensando em coisas melhores para responder ao homem. rsrsrs Mas, já passou. Sei que vai acontecer de novo, mas já foi. Acho que agora, é seguir surfando essa onda maluca e deliciosa que é sermos nós mesm@s.

Um abraço e vamos pedalar!

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