Estou com medo de pedalar!

medo de pedalar blog De Bike na Cidade Sheryda Lopes

😦

Desde o Papo Ciclovida do qual participei, estou sem bicicleta. Acontece que quando voltávamos do evento, marido e eu, o pneu da Lanterna furou de novo e mais uma vez precisamos deixar as bicicletas na casa de um amigo e voltar de táxi para casa. Desde então, não consegui ir buscar Shamira e o ônibus voltou a ser meu meio de transporte.

E como não tenho saído muito de casa, passo boa parte do tempo na Internet – exceto quando vou à casa da minha mãe, que é offline. E é pela rede que acompanho relatos de amigos ciclistas sobre suas vivências nas ruas. Como muitos deles têm sofrido bastante violência no trânsito ultimamente, há vários depoimentos tristes e pesados sobre fechadas de motoristas e até ameaças (verbais) de morte.

E sabe qual o efeito disso em mim? Medo. Depois de vários dias sem botar a bike na rua, parece que eu entrei numa conchinha e comecei a cultivar carga negativa dentro dela. E com essa carga, vieram sentimentos como o medo, apatia e falta de criatividade. Sendo muito sincera e transparente com vocês, leitoras e leitores, é por isso que ainda não havia saído post esta semana. Ora, se as minhas maiores fontes de inspiração para produzir conteúdo para o blog e o canal no You Tube são justamente as experiências que tenho pedalando, como teria ideias dentro de casa sem tirar os olhos do whats app?

Entendam: não acho errado que os amigos desabafem, longe disso. É importante que a rede de ciclistas se apóie, tenha com quem desabafar, tenha a quem pedir conselhos sobre pedalar e se informar sobre nossos direitos. E numa sociedade em que somos ainda vistos como meio malucos e fracassados por não quererem um carro acima de tudo, muitas vezes nos sentimos sozinhos. Pelo menos até conhecer outros ciclistas e conversar com eles. Isso faz uma diferença muito grande.

O que quero mostrar a vocês é a forma como nós mesmos cultivamos nosso olhar e como nossa cabeça responde a isso. Porque nesses dias sem bicicleta eu tenho lido muitos relatos positivos também! Várias pessoas que vêm me contar que estão comprando suas bicicletas, mulheres tomando coragem de ir pedalando ao trabalho pela primeira vez, pessoas contando de motoristas que respeitaram a ciclofaixa e a preferencial para o ciclista… Claro que é absurdo que algo banal como o respeito no trânsito seja algo raro e a se comemorar, mas se o que queremos é um trânsito mais humano, nada mais apropriado que celebrar e compartilhar entre nós os pequenos avanços.

Mas se eu tive acesso a relatos positivos e negativos, porque só os negativos parecem me afetar? Tenho uma amiga que diz que o nosso cérebro sempre reforça os traumas e os medos, então deve ser por aí. Sem as experiências positivas, a sensação maravilhosa de chegar num lugar se exercitando e sentindo o vento no rosto, sem fotografar ciclistas e conversar com eles, parece que esqueci que existe mais em pedalar que somente as finas. Alias, acho que é exatamente assim que se sentem as pessoas que nunca experimentaram usar a bicicleta e gritam aos quatro ventos que é algo impossível. rsrsrrs Como assim “acho”? Era assim que eu me sentia antes de começar a pedalar e a pesquisar sobre isso! E agora, quase dois anos depois de eu ter provado a mim mesma e a tantas outras pessoas que é possível sim, me pego com medo! Tem algo errado aí, definitivamente.

Ontem, dia do ciclista, por uma feliz coincidência encontrei vários amigos pedaleiros. Entre eles estava um (que conheço há pouco tempo, mas já considero pacas) dos que têm sofrido muita violência ultimamente, e está bastante estressado. Eu estava muito preocupada com ele e aproveitei para oferecer palavras amigas e um abraço sincero. Hoje, farei mais: vou buscar Shamira. Chega de alimentar esse monstrinho que joga a gente numa inércia sombria. Vou botar minha amada bicicleta na rua e deixar nossa cidade um tiquinho mais pink. Por mim, por nós.

E ontem não teve post sobre o Dia do Ciclista (peço desculpas por isso), mas teve homenagem na fanpage do blog. Abaixo, a mensagem que postei por lá, e que agora compartilho com vocês por aqui. Junto, meu agradecimento. Cada um de vocês, seja como ciclista ou leitor, faz uma diferença enorme para mim, pois me estimula a pedalar e a escrever. As duas coisas são partes importantíssimas da Sheryda, e sem elas sobra um espaço enorme para a tristeza. Então, muito obrigada por me estimularem a seguir!

Homenagem dia do ciclista Facebook

Minha humilde homenagem aos ciclistas pelo dia de ontem

Já postei pelo menos dois textos sobre o medo e as vivências positivas no trânsito, além de outros dois sobre lugares que me metiam medo e onde tive boas surpresas. Um dos causos foi na Barra do Ceará e o outro foi na avenida José Bastos. Deixo as sugestões de leitura e os links para vocês!

Um abraço e vamos pedalar!

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2 comentários sobre “Estou com medo de pedalar!

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