Crônicas de bike – Detesto hômi valente!

Pra quê essa brabeza toda, meu fi?

Pra quê essa brabeza toda, meu fi?

Vocês sabem que um dos maiores prazeres de pedalar na cidade é descobrir que existe gentileza, por mais que a gente duvide disso. Já contei várias histórias incríveis sobre isso. Mas infelizmente nem sempre é assim. Dia desses, um cara que parecia ter mais ou menos a minha idade dirigia um carro bonitão e enorme (eu não vou saber o modelo, mas sei que não era 4 x 4) e, do nada, resolveu meter a buzina bem atrás de mim de um jeito absolutamente escandaloso e violento.

O pior é que foi num contexto que não fazia o menor sentido: Eu estava parada, com o sinal fechado, às 18h no Centro de Fortaleza! Gente, nesse horário, não tem nem como caminhar direito por lá por causa do trânsito e da quantidade de pedestres, caminhões descarregando, etc. Ou seja: pressa pra quê? Quando eu olhei pra trás o cara começou a gritar comigo cheio de ódio porque eu estava “no meio da rua”. E ficou perguntando se eu ainda achava que tinha razão. Nós dois lá, parados, com o sinal fechado, sem ter pra onde ir e o maluco da buzina enlouquecendo.

Siiiim. Eu estou dizendo que eu estava lá, morta de feliz na minha bicicleta quando um marmanjo começou a bancar o valentão pro meu lado e gritar comigo. Adivinhem o que eu fiz?

(  ) Baixei a cabeça, comecei a chorar e nunca mais andei de bicicleta

(  ) Pensei: “feminismo pra quê”? e fui fazer campanha pro Bolsonaro

(  ) Me coloquei no meu lugar, fiz uma reverência e fui pra casa remendar meias

( x ) gggrrrRRRRRRRHHHHUUUAAAAAAARRRRRRRRRRRRRR!!!!! (poder mother fucker girl she ra mega power tomando de conta e se manifestando)

Fiquei calada não, amores, que eu não sou nem obrigada! Quanto mais o cara gritava comigo, mais alto eu gritava de volta. E o que eu disse? Que eu tenho sim, o direito de estar na rua com minha bicicleta. Que ele tem que me ultrapassar com segurança, mantendo 1,5m de distância e que não pode ficar me ameaçando com buzina e cara de valente. Que ele não tem o direito de “passar pro cima de mim” e que, se fizer isso, será um ASSASSINO. E que ele não é o dono da rua só por causa de um carrão bonitinho, e que ninguém ligava pro carrão bonitinho dele (sim, eu disse isso com essas palavras).

Gente, e o pior é que o cara tinha criança dormindo na cadeirinha no banco de trás. E uma mulher sentada no banco do passageiro que não se manifestou, apenas riu um pouco, e eu fiquei imaginando se eram a família dele. Olha só o exemplo que uma criatura transtornada como essa dá para a família.

É triste demais, sabe? Uma violência desnecessária, um ódio por ter que dividir a rua com alguém que conduz um veículo infinitamente mais simples e barato que o dele. A arrogância, a covardia… sim, porque ele estava nitidamente tentando me intimidar diante de um Centro lotado. E quando viu que eu não ia me calar, aí que ele ficou com mais raiva. E a pressa dele não o levaria a lugar nenhum, porque não tem como (nem porquê) andar rápido por ali. Era simplesmente demonstração de poder e/ou quem sabe, estresse acumulado do dia. Por mais que a gente deva evitar briga no trânsito, tem horas que tem que fazer escândalo mesmo e chamar atenção.

Ocupe a faixa

Para quem não entende quando vê um ciclista ocupando um terço ou mais da faixa, imaginem só se eu estivesse no cantinho da rua, colada ao meio fio como a maior parte dos motoristas querem? Um maluco desses com certeza ia me ultrapassar sem o menor cuidado, porque pra ele, eu nem mesmo poderia estar ali. Com certeza ele não iria diminuir a velocidade e muito menos manter a distância correta. E aí quem pode acabar caindo embaixo do carro ou batendo o pedal no meio fio somos nós, ciclistas. Fora que todo mundo que anda de bicicleta sabe que o canto das vias é repleto de buraco, então, não tem condições de andar ali.

Por isso que a gente tem que se colocar à frente dos carros, para ficar bem visível e obrigá-los a ter cuidado ao nos ultrapassar. Isso não é sinal de arrogância de nossa parte, estamos apenas nos posicionando de forma segura e visível no trânsito. Arrogância é buzinar e achar que todo ciclista tem que ir pro cantinho da via só porque vossa majestade automotiva quer passar, né? Além de arrogante, é contra a lei, já que a preferencial no trânsito é nossa, por sermos veículos menores e mais frágeis. Então, motorista, economize sua buzina e tenha paciência. Quer ultrapassar? Mude de faixa ou espere uma oportunidade. Tá com pressa,acha que a rua é sua e que bicicleta não tem vez? Então vá pra baixa da égua e me mande um postal.

Rexpeita as mina! 

Esse episódio me lembrou muito um vídeo que a ruiva power Nina Tangerina postou há alguns dias. Gravado com Ciclanas na avenida Washington Soares, uma das maiores e mais movimentadas daqui, o resultado foi um verdadeiro tapa na cara de quem acha que pode pôr as mulheres ciclistas num “determinado lugar”de submissão. Assistam e me digam se o fogo do Girl Power não atingiu vossos corações com força total.

E falando em girl power, vocês já ajudaram as Ciclanas a irem para o Bicicultura? É pra ajudar, hein? Ainda dá tempo!!

 

Um abraço e vamos pedalar!

E buzinar menos, xingar menos. Beeeem menos.

Que ferramentas devemos levar na bolsa?

Olá! Já contei aqui no blog algumas vezes sobre quando fiquei no prego com minha Shamira e até com a Lanterna, que é a bike do maridão. Como não sei fazer os reparos básicos e estava desprevenida nessas ocasiões, as bicicletas tiveram que se hospedar em locais de emergência até que viesse alguém nos prestar socorro. Resolvi então procurar a mestra Mara Oliveira, mecânica de bicicletas e sócio proprietária da Bitelli Bikes, para falar um pouco das ferramentas que devemos ter na bolsa para o caso de uma câmara de ar furar, por exemplo. Além de serem úteis para essas emergências, esses itens podem nos ajudar a entender melhor nossas bikes e conquistar mais autonomia.

Ah, e esse vídeo foi captado pelo Ricardo Guilherme Lins, que já realizou outro projeto com o De Bike na Cidade, e editado pelo Morfeu Gilson. O Morfeu também criou as vinhetas de abertura e encerramento que ficaram fofíssimas! Confiram aí e nos digam se gostaram!

Um abraço e vamos pedalar!

Em crise com a capa

Sheryda Lopes Capa de chuva pedalar poncho bicicleta Blog De Bike na Cidade Resenha (3)

Gentem, e aí? Como foi o fim de semana? Hoje estou aqui para chorar com vocês e desabafar a respeito de uma relação na qual eu depositei muitas expectativas (tem algo mais canceriano que isso?), mas que está me decepcionando: a que eu tenho com minha capa de chuva para pedalar.

Como contei num post do ano passado, comprei uma capa de chuva no Ebay de um vendedor alemão e esperei por meses. Demorou tanto que já tinha passado até a estação chuvosa e eu achei que só iria experimentá-la em 2016. Porém, para nossa alegria, ainda houve oportunidades de me fantasiar de minion azul do League of Legends e viver a sensação de pedalar na chuva à moda europeia (se é que os europeus realmente usam essa capa).

E nos primeiros usos eu até que fiquei feliz! Consegui proteger a mim e à minha bagagem da chuva sem passar calor por causa do plástico. Mas com no começo deste ano a experiência tem sido muito ruim.

Primeira reclamação: a capa não encaixa. A ideia do modelo é que ele cubra a parte da frente da bicicleta e a de trás também, formando um poncho. Mas ela fica desabotoando a cada vez que subo ou desço do selim. É como se eu precisasse que alguém me vestisse a cada vez que monto na bicicleta, ou seja, inviável.

Capa cobrindo a mesa

Teoricamente era para ficar assim

Segunda reclamação: o vento tira a capa do lugar deixando a mim e à minha bagagem descobertas. Isso acontece principalmente quando passa um carro ao meu lado muito rápido. Juntando ao primeiro motivo, acaba que eu preciso parar constantemente para me ajeitar, o que se torna muito cansativo e estressante.

Terceira reclamação: Essa parte da capa que cobre o guidão está começando a acumular água, fazendo um peso chato que só, aí eu preciso dar uma empurradinha pra cima pra derramar. Juro que isso não acontecia antes.

Mas a peça ainda tem suas vantagens: Como cobre minhas mãos, não fica aquela melequeira toda, escorregando e tals. A fita refletora dela também é bacana pois funciona muito bem e com ela me sinto mais segura.

Também tenho usado a capa para cobrir a bike estacionada, porque meus gatinhos fizeram o favor de rasgar o plástico que cobre o selim, deixando a esponja exposta. Se cair água em cima eu vou ter que pedalar muito com o bumbum molhado e isso não é legal. Mas, francamente, essa capa foi cara e demorou para chegar, então se for só por essas funções, acho que não vale a pena. Ou então eu preciso aprender a usá-la direito.

Ah! E mais dois agravantes: a cega aqui fica com as lentes dos óculos totalmente embaçadas enquanto pedala (já recebi dica de usar produtinho de Go Pro na lente, mas não fui atrás ainda).

E para finalizar, fico com a rinite super atacada por conta da umidade. Francamente, tenho pensado que pedalar na chuva não é pra mim, aí acabo pegando ônibus. Paciência.

E vocês? Como estão pedalando com essas chuvas? Por acaso alguém usa um capa parecida com a minha e está se saindo melhor que eu? Contem aí nos comentários.

Um abraço e vamos pedalar!

Chuva: 1 x 0: Sheryda

Na semana passada caiu muita água em Fortaleza e em outras cidades cearenses. Isso depois de um logo período de seca e de dias quentes como o inferno. E a minha timeline se encheu de fotos e dizeres de comemoração de amigos que celebravam o alívio de ver água cair do céu. Eu mesma tirei fotos das gotinhas embaçando os vidros da janela de ônibus. Tão lindo!

Chuva noturna embaçando as luzes do trânsito

Chuva noturna embaçando as luzes do trânsito

E os amigos ciclistas? Um monte meteu as caras e a bike na rua debaixo de chuva mesmo. Os mais destemidos apenas com a coragem e uma muda de roupa na bolsa. Outros com capas de chuva e até galochas fofíssimas, super desejadas por esta blogueira. Todos com um ponto em comum: falavam que andar de bike na chuva era possível sim, e que, por causa das bicicletas, nada de atrasos no trabalho e nem engarrafamentos. Fora os sentimentos maravilhosos de liberdade e das lembranças valiosas dos banhos de chuva na infância.

Então. Eu também fui dessas que foi com a Shamira para o aguaceiro. Não sem pensar duas vezes, confesso. Porque eu não tenho muita saudade dos banhos de chuva da infância, sabe? Quer dizer, tenho carinho pelas lembranças, mas gosto que elas se mantenham lembranças e pronto. Como a minha rinite me deixa vulnerável a mudanças repentinas de temperatura e a umidade, gosto de dias chuvosos em que eu fique dentro da minha casa com um bom livro para ler, uma série legal para assistir e uma xícara cheia de uma bebida bem quente. Ah, e milhares de cobertores. hehehe Tenho agonia da lama respingando nos pés e muito medo de adoecer por causa da chuva. Desculpem, amigos destemidos. Sou dessas.

Só que eu tinha algumas oficinas de desenho para fazer e, como vocês sabem, comprei uma capa no Ebay no ano passado que é específica para pedalar. Então não fazia sentido me enfiar num ônibus abafado, pagar caro pela passagem, aguentar demora de ônibus e engarrafamento pelas ruas alagadas se eu tinha investido num negócio caro (em comparação a capas convencionais) e que demorou para chegar só por nojinho de lama. Quer dizer… eu também sinto um pouco de insegurança de pedalar na chuva, mas já fiz isso antes e preciso me aperfeiçoar. Decidi então sair da zona de conforto e encarar a tempestade, pois estava animadíssima com essas oficinas e a chuva não me faria perdê-las.

Minha saga

Não rolou foto do look de bike porque marido ainda tava dormindinho e coitado, né? Já pensou, o póbi se enfiar na chuva dormindo? rsrsrs E eu também não tava muito arrumada, nem valia a pena ^^ Mas vou descrever minha roupa pra vocês: Como eram eventos informais, não precisava me arrumar muito. Então escolhi um short, uma regatinha branca bem leve com uma estampa divertida e pronto. Nos pés, chinela havaiana e nada de sapato ou sandália mais arrumadinha de reserva. E nenhuma maquiagem na cara. Apesar de não ter me maquiado por pura falta de vontade, a verdade é que isso foi algo a menos para me preocupar. Coloquei meus materiais de desenho dentro de uma mochila jeans (depois descobri que isso havia sido um erro) e meu caderno de desenho novo (o mais caro da minha vida) dentro de um saco plástico. A capa de chuva cobre a parte de trás e da frente da bike, então estava segura de que as coisas estavam protegidas.

En-tão. Pra começar, a capa de chuva não funcionou tão bem quanto da última vez. O capuz ficava saindo do lugar e atrapalhava a minha visibilidade. A parte de trás, que estava cobrindo a garupa, voava a cada vez que um carro passava, descobrindo a mochila e fazendo com que a capa se mexesse ainda mais. Então eu tinha que parar diversas vezes para me ajeitar e tomando muito cuidado para não cair embaixo de nenhum carro.

Ah, e os óculos? Meu Deus, os óculos. Os desgraçados embaçavam sem parar e ficavam cheio de gotinhas que me deixava completamente cega. Não dava nem para tirar um lenço de papel da bolsa, afinal, com a chuva, ele ficaria ensopado. Então eu tinha que parar, também, para tentar passar os óculos na regata, por baixo da capa. Apesar de ficarem manchados, pelo menos isso diminuía o tanto de gotinhas.

Numa das minhas paradas para tentar me recompor, se aproxima um gari que estava trabalhando na ciclovia. Ele usava capa de chuva e era muito sorridente. Olhou para a garupa da minha bike que eu desajeitadamente tentava cobrir e perguntou:

– Tem um bebê recém nascido aí?

E eu, meio estupefata com  a pergunta e imaginando um neném novinho naquelas condições, disse:

– Deus me livre!!

Aí o homem soltou:

– Deus me livre por que? Não diga isso! Olha, não tem nada no mundo que deixe uma mulher mais feliz e completa que gerar uma criança. É uma felicidade enorme.

Pois é. Lá estava eu na chuva, toda atrapalhada, desconfortável e ainda me aparece um estranho passando na minha cara a obrigação da maternidade. Eu lá, beirando os 30, tentando pedalar na chuva com o orgulho todo ferido, e agora descobria que era um ser incompleto. Ah, útero inútil. E o pior é que o homem tinha um simplicidade, um sorriso tão amoroso, que nem pra ficar com raiva dele eu servi. Me despedi do anjo da maternidade indispensável e segui caminho

Metros adiante, o que acontece? Escuto um “ploft” seguido de um “tssssss” e a bike super pesada. Depois, sensação de pancadas na parte traseira.

A câmara furou.

Sim. A porra da câmara furou.

E a não-mãe aqui também é uma não-sei-trocar-a-câmara e uma tremenda de uma não-trouxe-câmara-reserva-e-nem-ferramentas.

Para não dizer que não falei da sorte, sejamos justos. Não estava chovendo tanto assim. É como se o tempo soubesse o que eu pretendia fazer e tivesse decidido colocar o jogo no level médio. Então eu respirei fundo e comecei a pedalar devagarinho até uma borracharia que ficava a uns dois quarteirões. O certo era ir empurrando a bike, mas eu estava muito agoniada e quase atrasada para as aulas de desenho.

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Selfie na borracharia. Olhos inchados de sono e nenhuma make

Chegando na borracharia, o moço pegou a bike, virou de cabeça pra baixo e aí vi o selim com um pedaço da capa faltando em contato direto com o chão molhado e sujo. Imaginei na hora a esponja encharcada e eu com a bunda em cima, mas, ok. Então ele tentou tirar o pneu de trás e estava preso. Lembrei das lições da Aspásia Mariana:

-Você precisa abrir esta parte para sair (as coisinhas que servem para mudar a marcha).

Ele ficou meio constrangido e fez o que eu disse, aí o pneu saiu. Então tirou a câmara, olhou, passou uma lixa elétrica num furo, aplicou cola e adesivo, prendeu a câmara numa prensa e deixou secando.

-O que causou o furo? Algum prego ou vidro?

-Não, foi uma falha na câmara de ar.

-Ah. tá… Vai demorar muito? Estou atrasada para uma aula.

-Não, é rápido. Você tá indo para onde?

-À UFC (em frente à borracharia). Tenho uma aula começando agora.

-É rapidinho.

Poucos minutos depois, ele tira a câmara da prensa, monta o pneu e coloca na bicicleta. Ao desvirá-la, decepção: Pneu baixou de novo.

-Olha, é melhor você ir e voltar aqui depois da sua aula. Vou ter que refazer.

-Tá bom.

Então, fui a pé para as aulas de desenho e cheguei à sala com mais de meia hora de atraso. Mas adivinhem? Os oficineiros não conseguiram sair de casa por causa da chuva e a atividade foi adiada! hahahaha Gente, só rindo mesmo.

Aproveitei o tempo livre para olhar outras atrações no bloco de arte e cultura da UFC, como apresentações musicais e uma exposição de quadrinhos. Lá, inaugurei meu carvão vegetal, comprado especialmente para uma das oficinas das quais participaria.

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Meu primeiro desenho em carvão vegetal. Quem adivinha qual foi a inspiração?

Depois, voltei à borracharia para pegar a Shamira e algo que eu já esperava aconteceu: O homem cobrou bem mais que o normal pelo serviço. Provavelmente porque ele achou que, por ser mulher, eu não ia me tocar. But, not. Falei para ele que o preço que ele pedia era quase o valor de uma câmara nova e que eu já havia remendado antes e sabia que o que ele estava cobrando não era justo. Então ele soltou um queixo esfarrapado, de que o remendo tinha sido feito numa máquina e que por isso era mais caro. Gente, lixa elétrica e prensa mecânica são coisas que têm em praticamente toda borracharia e não influenciam tanto no resultado ao ponto de ser justo cobrar mais por isso. E fora que ele fez aquela cara, sabe? Tipo de “vixi, nem colou”? Então ele baixou um pouquinho o valor cobrado e levei Shamira de volta pra casa. O bom é que ele deixou fiado, já que eu não tinha dinheiro naquela hora e teria que voltar à tarde, quando estivesse passando para outra oficina. Tive muita sorte com isso, afinal, eu tinha botado boneco com o preço, né? rsrsrs

Bom, como o post já está longo demais, vou resumir: Não choveu mais tanto assim e eu não precisei pedalar na chuva de novo durante dois dias. Quando cheguei em casa, vi que meu material de desenho não ficou molhado, mas a mochila jeans ficou úmida e fedida (acho que alguma gata vomitou ou fez xixi nela e eu não havia percebido). Outro detalhe: apesar de ter me atrapalhado muito e com a capa saindo do lugar, a verdade é que minha roupa praticamente não ficou muito molhada. A blusa, por exemplo, estava completamente seca. Tanto que eu usei a peça de novo à tarde e no dia seguinte. Mas como o capuz ficou saindo do lugar, o meu cabelo ficou bastante molhado e isso incomodou bastante.

Desconfio até da razão de o capuz ter saído tanto do lugar, pois isso não aconteceu da outra vez em que usei a capa. Acontece que desta vez não usei capacete. O capuz tem tamanho suficiente para cobrir o equipamento (não obrigatório) de segurança e fica mais firme. Pelo menos essa é a minha impressão.

Outro detalhe: escolhi mal a mochila. Qualquer gotinha que caísse nela ia deixar o tecido úmido e algum dos meus cadernos poderia ser danificado. Para as outras oficinas usei a mesma mochila da viagem para Recife, que apesar de ser enorme, é feita de couro sintético não permeável. Para reforçar a segurança, poderia também ter guardado a própria mochila dentro de um saco plástico.

E sobre as partes da capa que voavam por causa do vento dos carros, estou pensando em alguma gambiarra que a mantenha presa no lugar sem que me atrapalhe para sair da bicicleta e também de olhar para os lados.

Abaixo, fotos da minha cara de quando cheguei em casa após a chuva, capa atrapalhada e a não-oficina. rsrsrsrs

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Cansada e de cabelo super molhado

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Por mais incrível que pareça, a roupa quase não molhou. Reparem nos óculos embaçados

E vocês? Tem pedalado nesse tempo? Como fazem? Onde vivem? Do que se alimentam? Contem pra mim e vamos juntos ficar experts no pedal. Ainda vou conseguir fazer isso com dignidade! Chova ou faça sol! ^^

Um abraço e vamos pedalar!

Bônus

Quem me segue no Instagram já viu, mas deixo com vocês as fotos de algumas aquarelas que pintei. Fruto do que aprendi na oficina de aquarela da Juliana Rabelo na UFC. E também alguns rabiscos de um exercício de estímulo à criatividade e da roda de debate sobre o feminino na ilustração, com três artistas incríveis daqui. As atividades foram realizadas pelo pessoal da Bolsa Arte e Moda da UFC.

Vi de Bike – Marcela Landim

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A póbi toda arrebentada

Tô devendo este Vi de Bike há um tempão, mas acho que ele vem em boa hora. Há algumas semanas fui a um dos ensaios do Vitrola Nova e me deparei com a Marcela Landim, que também faz parte do grupo, toda machucada, a pobrezinha. Só que mesmo cheia de feridas ela estava super contente: havia feito o trajeto de casa até o ensaio de bicicleta. Era a primeira vez que fazia um percurso maior e acabou caindo no caminho. 😦

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Cara de minina malina

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Esse roxão ficou por semanas

Ela é psicóloga, tem 29 25 anos e começou a andar de bicicleta na cidade há pouco tempo. Ela já apareceu aqui, junto com a mãe dela (beijos, Márcia :*) no Ciclochique. Marcela me contou que o tombo aconteceu porque estava pedalando muito no cantinho da via, por medo dos carros, e acabou se desequilibrando nas deformidades do asfalto. Aí, tadinha, machucou joelho, queixo… Uma negação. “Além do susto e da dor dos machucados, fiquei preocupada de estar sozinha no meio da rua com a bicicleta. Mas vi que estava tudo bem com ela e quis chegar logo ao meu destino, onde sabia que poderia cuidar dos machucados”, conta. Ela sabia que um dia poderia cair e por isso, ficou um pouco frustrada, mas também conseguiu seguir em frente.

O que mais me chamou a atenção foi a alegria da garota, sabe? Porque seria muito normal se ela desanimasse pela queda e tal. E eu mesma fiquei bem preocupada com ela. Mas a sensação de superação, de estar fazendo diferente, a deixou tão feliz que considerou os machucados como um “batismo”. E ela meio que exibia os machucados também, como se fossem marcas de guerra! As pessoas chegavam preocupadas e ela dizia, com um sorrisão enorme: “É que eu vim de bicicleta hoje e caí no caminho”! rsrsrs Achei isso tão inspirador! Porque às vezes a gente se deixa desanimar por problemas, por as coisas não atenderem nossas expectativas. Na verdade, eu mesma estou um pouco nesse clima ultimamente, meio na bad, se entupindo de doces, e tals. #cancerianamodeon

Aí que falar da história da Marcela me traz alegria e espero que também traga a você, para  animar esta semana que ainda está no comecinho. Para que a gente consiga permanecer nos processos mesmo quando os obstáculos aparecem, o desânimo… Lembrar de coisas boas e do que nos fez escolher os caminhos que estamos percorrendo e saber lidar com os percalços que surgem, até que possamos chegar aos nossos destinos. E lá, cuidar dos nossos machucados e comemorar o que alcançamos. Aliás, um pouquinho de otimismo cai bem nessa hora, né? Porque fora os problemas pessoais, tem tanta coisa ruim acontecendo no mundo, inclusive aqui, em Fortaleza… 😦 Desculpem terminar assim este post feliz, mas é que eu precisava desabafar, nem que fosse um pouquinho. Não tá fácil, mas a gente vai conseguir.

Um abraço e vamos pedalar!

P.S.: Para evitar cair no cantinho da via, seja pelas deformidades no asfalto ou por esbarrar o pedal no meio fio, lembre-se de ocupar pelo menos um terço da faixa. Isso também vai obrigar os motoristas a lhe ultrapassarem com mais cautela, diminuindo as finas. Claro que também vai rolar mais buzina, mas, é melhor que cair ou ser atropelado. 😉 E motoristas, tenham paciência que ciclista não é bagunça, tá bom?

Bicicletaria oferece espaço e ferramentas gratuitas para ciclistas

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Foto: Bitelli Bikes

Desde que comecei a pedalar, um mundo de possibilidades se abriu para mim. Na contramão da cultura individualista que combate a interação e o compartilhamento, a bicicleta me mostrou que pode ter olhar no olho, solidariedade, gentileza… E isso deixa a cidade mais humana e acessível para as pessoas.

Mas se para muitos a gentileza parece algo impossível nessa cultura do cada um por si, imaginem uma oficina que compartilha seu espaço e ferramentas de forma gratuita para que os próprios ciclistas façam os ajustes em suas bikes! “Ah, Sheryda! Isso tem na Europa, filha! Não aqui, em Fortaleza”! ERRADO!

A Bitelli Bikes, bicicletaria especializada em fixas e urbanas oferece, entre outros produtos e serviços, uma bancada compartilhada com suporte para acomodar a bicicleta durante o ajuste, além de diversas ferramentas. É só chegar e usar o espaço! Um ótimo apoio para quem não tem alguma ferramenta específica, por exemplo ou ainda, que tem ciúmes da bike e não deixa mais ninguém fazer os ajustes. E se precisar de algo, a loja tem vários itens de mecânica à venda, além de bebidas geladas, cafezinho e uns lanchinhos para beliscar. Mas o consumo não é obrigatório para a utilização do espaço.

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A Bitelli disponibiliza espaço e instrumentos para ajustes na sua bike

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Um monte de negocinhos que quero aprender a usar!

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Olha só quanta ferramenta!

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A chave de lock ring é utilizada na manutenção de bikes fixas e está à disposição na Bitelli

Eu fui até lá para comprar um pneu novo para a Lanterna e aproveitei para fazer um ajuste no meu selim. Tive ajuda da Mara Oliveira, que é mecânica de bicicletas e sócio proprietária do estabelecimento. E além de me oferecer o material e o espaço (pra lá de confortável e bonito, diga-se de passagem) ela ainda me deu uma mãozinha porque eu não sei fazer nada. rsrsrs

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Eu tentando ajustar a mesa da bicicleta com a ajuda da Mara Foto: Bitelli Bikes

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Depois de trabalhar na bike, refri beeem gelado para refrescar! Foto: Bitelli Bikes

Gostaram da dica? Então, compartilhem com seus amigos e comecem a sujar essas mãozinhas de graxa!

Bitelli Bikes

Endereço: Rua Livio Barreto, 528 A, Dionísio Torres, Fortaleza-CE.
Telefone: 085 98848-5348
Horário de funcionamento: De terça à sabado 13h às 20h e domingo das 10h às 16h.
Bitelli no Facebook: facebook.com/BitelliBikes

Uma abraço e vamos pedalar!

Publieditorial.

Crônicas de Bike – Sobre distâncias e baterias imaginárias

(Foto: Verdinha)

(Foto: Verdinha)

Tive duas boas experiências recentemente enquanto pedalava rumo ao ensaio do Vitrola Nova. E as duas foram relacionadas a motoristas. A primeira delas foi na avenida Duque de Caxias, em pleno horário de pico. Nessa avenida eu costumo pedalar perto do canteiro central, porque na faixa da direita vão ônibus que sempre me assustam. É um pouco tenso pedalar na faixa da esquerda, porque os carros vão mais rápido e próximos a mim. Mas sério: prefiro levar 20 finas de um carro particular do que sentir aqueles monstros chegando perto de mim e me ameaçando.

Aí que eu vou bem atenta, tomando cuidado para manter bastante equilíbrio. Num determinado momento, percebo que não há carro ao meu lado e fico meio que aguardando que alguém fique rente a mim. Passa um, dois quarteirões e nada. Então, num sinal fechado com o trânsito super pesado, olho para trás. Há um carro pequeno e a motorista é uma mulher mais ou menos da mesma idade que eu. Percebi então que ela vinha dirigindo e tomando cuidado comigo, parando mais atrás de propósito e sem emparelhar ao meu lado. Não consegui resistir e voltei um pouquinho, pedi que ela abaixasse o vidro e agradeci a ela por manter a distância. Ela então sorriu e disse: “de nada”!

Lá na frente, depois de eu ter deixado a motorista gentil no engarrafamento (tadinha) já em ruas secundárias e com pouco trânsito, vinha pensando na gentileza da motorista. Às vezes eu tenho que me esforçar um pouco para prestar atenção nessas coisas boas que acontecem, sabe? Porque a tendência é só lembrar das finas e da grosseria de alguns motoristas. Mas acho importante (até para a nossa saúde mental) lembrar também que existem atitudes gentis e pacíficas.

Daí, sigo pedalando e pensando nisso quando me aproximo de um supermercado e de um semáforo fechado. Havia um carro tentando sair do estacionamento e ficou parado aguardando uma brecha. Não dava para eu passar, então parei a bicicleta enquanto esperava o sinal ficar verde. Observo então a motorista que saía do estabelecimento e vi que, mais uma vez, era uma mulher. Só que ela era mais velha que eu. E estava… cantando e tocando bateria no volante esperando para entrar no asfalto. Sério, gente! Muito bom! Eu não sei se estava tocando alguma música muito boa, porque não dava para ouvir nada e o vidro estava abaixado. Parecia que ela estava simplesmente cantando algo e tocando uma bateria imaginária muito pauleira. E curtindo pra caramba!

Eu comecei a observá-la e abri um sorriso inevitável. Aí ela olhou pra mim e como que, pega no flagra, fez uma cara de susto e caiu na gargalhada. Eu comecei a bater cabelo junto com ela e ela riu mais ainda. Aí o sinal abriu, nós demos tchau uma para a outra e nunca mais nos vimos.

Mas vocês percebem o quanto algumas situações podem ser uma chance pra gente relaxar um pouco? Quer dizer: buzina não deixa sinal verde. Raiva não faz aparecer uma vaga. Escrotizar ciclista também não vai deixar o trânsito melhor. Então… buzinar menos, desacelerar mais, cantar mais.

Por quê não?

Um abraço e vamos pedalar!