Crônicas de bike – Detesto hômi valente!

Pra quê essa brabeza toda, meu fi?

Pra quê essa brabeza toda, meu fi?

Vocês sabem que um dos maiores prazeres de pedalar na cidade é descobrir que existe gentileza, por mais que a gente duvide disso. Já contei várias histórias incríveis sobre isso. Mas infelizmente nem sempre é assim. Dia desses, um cara que parecia ter mais ou menos a minha idade dirigia um carro bonitão e enorme (eu não vou saber o modelo, mas sei que não era 4 x 4) e, do nada, resolveu meter a buzina bem atrás de mim de um jeito absolutamente escandaloso e violento.

O pior é que foi num contexto que não fazia o menor sentido: Eu estava parada, com o sinal fechado, às 18h no Centro de Fortaleza! Gente, nesse horário, não tem nem como caminhar direito por lá por causa do trânsito e da quantidade de pedestres, caminhões descarregando, etc. Ou seja: pressa pra quê? Quando eu olhei pra trás o cara começou a gritar comigo cheio de ódio porque eu estava “no meio da rua”. E ficou perguntando se eu ainda achava que tinha razão. Nós dois lá, parados, com o sinal fechado, sem ter pra onde ir e o maluco da buzina enlouquecendo.

Siiiim. Eu estou dizendo que eu estava lá, morta de feliz na minha bicicleta quando um marmanjo começou a bancar o valentão pro meu lado e gritar comigo. Adivinhem o que eu fiz?

(  ) Baixei a cabeça, comecei a chorar e nunca mais andei de bicicleta

(  ) Pensei: “feminismo pra quê”? e fui fazer campanha pro Bolsonaro

(  ) Me coloquei no meu lugar, fiz uma reverência e fui pra casa remendar meias

( x ) gggrrrRRRRRRRHHHHUUUAAAAAAARRRRRRRRRRRRRR!!!!! (poder mother fucker girl she ra mega power tomando de conta e se manifestando)

Fiquei calada não, amores, que eu não sou nem obrigada! Quanto mais o cara gritava comigo, mais alto eu gritava de volta. E o que eu disse? Que eu tenho sim, o direito de estar na rua com minha bicicleta. Que ele tem que me ultrapassar com segurança, mantendo 1,5m de distância e que não pode ficar me ameaçando com buzina e cara de valente. Que ele não tem o direito de “passar pro cima de mim” e que, se fizer isso, será um ASSASSINO. E que ele não é o dono da rua só por causa de um carrão bonitinho, e que ninguém ligava pro carrão bonitinho dele (sim, eu disse isso com essas palavras).

Gente, e o pior é que o cara tinha criança dormindo na cadeirinha no banco de trás. E uma mulher sentada no banco do passageiro que não se manifestou, apenas riu um pouco, e eu fiquei imaginando se eram a família dele. Olha só o exemplo que uma criatura transtornada como essa dá para a família.

É triste demais, sabe? Uma violência desnecessária, um ódio por ter que dividir a rua com alguém que conduz um veículo infinitamente mais simples e barato que o dele. A arrogância, a covardia… sim, porque ele estava nitidamente tentando me intimidar diante de um Centro lotado. E quando viu que eu não ia me calar, aí que ele ficou com mais raiva. E a pressa dele não o levaria a lugar nenhum, porque não tem como (nem porquê) andar rápido por ali. Era simplesmente demonstração de poder e/ou quem sabe, estresse acumulado do dia. Por mais que a gente deva evitar briga no trânsito, tem horas que tem que fazer escândalo mesmo e chamar atenção.

Ocupe a faixa

Para quem não entende quando vê um ciclista ocupando um terço ou mais da faixa, imaginem só se eu estivesse no cantinho da rua, colada ao meio fio como a maior parte dos motoristas querem? Um maluco desses com certeza ia me ultrapassar sem o menor cuidado, porque pra ele, eu nem mesmo poderia estar ali. Com certeza ele não iria diminuir a velocidade e muito menos manter a distância correta. E aí quem pode acabar caindo embaixo do carro ou batendo o pedal no meio fio somos nós, ciclistas. Fora que todo mundo que anda de bicicleta sabe que o canto das vias é repleto de buraco, então, não tem condições de andar ali.

Por isso que a gente tem que se colocar à frente dos carros, para ficar bem visível e obrigá-los a ter cuidado ao nos ultrapassar. Isso não é sinal de arrogância de nossa parte, estamos apenas nos posicionando de forma segura e visível no trânsito. Arrogância é buzinar e achar que todo ciclista tem que ir pro cantinho da via só porque vossa majestade automotiva quer passar, né? Além de arrogante, é contra a lei, já que a preferencial no trânsito é nossa, por sermos veículos menores e mais frágeis. Então, motorista, economize sua buzina e tenha paciência. Quer ultrapassar? Mude de faixa ou espere uma oportunidade. Tá com pressa,acha que a rua é sua e que bicicleta não tem vez? Então vá pra baixa da égua e me mande um postal.

Rexpeita as mina! 

Esse episódio me lembrou muito um vídeo que a ruiva power Nina Tangerina postou há alguns dias. Gravado com Ciclanas na avenida Washington Soares, uma das maiores e mais movimentadas daqui, o resultado foi um verdadeiro tapa na cara de quem acha que pode pôr as mulheres ciclistas num “determinado lugar”de submissão. Assistam e me digam se o fogo do Girl Power não atingiu vossos corações com força total.

E falando em girl power, vocês já ajudaram as Ciclanas a irem para o Bicicultura? É pra ajudar, hein? Ainda dá tempo!!

 

Um abraço e vamos pedalar!

E buzinar menos, xingar menos. Beeeem menos.

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Estou com medo de pedalar!

medo de pedalar blog De Bike na Cidade Sheryda Lopes

😦

Desde o Papo Ciclovida do qual participei, estou sem bicicleta. Acontece que quando voltávamos do evento, marido e eu, o pneu da Lanterna furou de novo e mais uma vez precisamos deixar as bicicletas na casa de um amigo e voltar de táxi para casa. Desde então, não consegui ir buscar Shamira e o ônibus voltou a ser meu meio de transporte.

E como não tenho saído muito de casa, passo boa parte do tempo na Internet – exceto quando vou à casa da minha mãe, que é offline. E é pela rede que acompanho relatos de amigos ciclistas sobre suas vivências nas ruas. Como muitos deles têm sofrido bastante violência no trânsito ultimamente, há vários depoimentos tristes e pesados sobre fechadas de motoristas e até ameaças (verbais) de morte.

E sabe qual o efeito disso em mim? Medo. Depois de vários dias sem botar a bike na rua, parece que eu entrei numa conchinha e comecei a cultivar carga negativa dentro dela. E com essa carga, vieram sentimentos como o medo, apatia e falta de criatividade. Sendo muito sincera e transparente com vocês, leitoras e leitores, é por isso que ainda não havia saído post esta semana. Ora, se as minhas maiores fontes de inspiração para produzir conteúdo para o blog e o canal no You Tube são justamente as experiências que tenho pedalando, como teria ideias dentro de casa sem tirar os olhos do whats app?

Entendam: não acho errado que os amigos desabafem, longe disso. É importante que a rede de ciclistas se apóie, tenha com quem desabafar, tenha a quem pedir conselhos sobre pedalar e se informar sobre nossos direitos. E numa sociedade em que somos ainda vistos como meio malucos e fracassados por não quererem um carro acima de tudo, muitas vezes nos sentimos sozinhos. Pelo menos até conhecer outros ciclistas e conversar com eles. Isso faz uma diferença muito grande.

O que quero mostrar a vocês é a forma como nós mesmos cultivamos nosso olhar e como nossa cabeça responde a isso. Porque nesses dias sem bicicleta eu tenho lido muitos relatos positivos também! Várias pessoas que vêm me contar que estão comprando suas bicicletas, mulheres tomando coragem de ir pedalando ao trabalho pela primeira vez, pessoas contando de motoristas que respeitaram a ciclofaixa e a preferencial para o ciclista… Claro que é absurdo que algo banal como o respeito no trânsito seja algo raro e a se comemorar, mas se o que queremos é um trânsito mais humano, nada mais apropriado que celebrar e compartilhar entre nós os pequenos avanços.

Mas se eu tive acesso a relatos positivos e negativos, porque só os negativos parecem me afetar? Tenho uma amiga que diz que o nosso cérebro sempre reforça os traumas e os medos, então deve ser por aí. Sem as experiências positivas, a sensação maravilhosa de chegar num lugar se exercitando e sentindo o vento no rosto, sem fotografar ciclistas e conversar com eles, parece que esqueci que existe mais em pedalar que somente as finas. Alias, acho que é exatamente assim que se sentem as pessoas que nunca experimentaram usar a bicicleta e gritam aos quatro ventos que é algo impossível. rsrsrrs Como assim “acho”? Era assim que eu me sentia antes de começar a pedalar e a pesquisar sobre isso! E agora, quase dois anos depois de eu ter provado a mim mesma e a tantas outras pessoas que é possível sim, me pego com medo! Tem algo errado aí, definitivamente.

Ontem, dia do ciclista, por uma feliz coincidência encontrei vários amigos pedaleiros. Entre eles estava um (que conheço há pouco tempo, mas já considero pacas) dos que têm sofrido muita violência ultimamente, e está bastante estressado. Eu estava muito preocupada com ele e aproveitei para oferecer palavras amigas e um abraço sincero. Hoje, farei mais: vou buscar Shamira. Chega de alimentar esse monstrinho que joga a gente numa inércia sombria. Vou botar minha amada bicicleta na rua e deixar nossa cidade um tiquinho mais pink. Por mim, por nós.

E ontem não teve post sobre o Dia do Ciclista (peço desculpas por isso), mas teve homenagem na fanpage do blog. Abaixo, a mensagem que postei por lá, e que agora compartilho com vocês por aqui. Junto, meu agradecimento. Cada um de vocês, seja como ciclista ou leitor, faz uma diferença enorme para mim, pois me estimula a pedalar e a escrever. As duas coisas são partes importantíssimas da Sheryda, e sem elas sobra um espaço enorme para a tristeza. Então, muito obrigada por me estimularem a seguir!

Homenagem dia do ciclista Facebook

Minha humilde homenagem aos ciclistas pelo dia de ontem

Já postei pelo menos dois textos sobre o medo e as vivências positivas no trânsito, além de outros dois sobre lugares que me metiam medo e onde tive boas surpresas. Um dos causos foi na Barra do Ceará e o outro foi na avenida José Bastos. Deixo as sugestões de leitura e os links para vocês!

Um abraço e vamos pedalar!

Vlog de Bike – indo ao Centro de bicicleta

Saiu o segundo Vlog de Bike! E desta vez, com a participação do marido! 🙂 Fomos juntos ao Centro da cidade para comprar luminárias que usarei para iluminar melhor os vídeos que eu gravar aqui em casa para o blog. Aproveitamos o passeio para falar um pouco da Praça do Ferreira, mostrar o melhor pastel de Fortaleza (e olha que não gosto muito de pastel) e curtir o climinha romântico do começo da noite. Se vocês tiverem paciência e uma tolerância extrema a gente que fala bobagem, vão se divertir com minhas brincadeiras com o maridão. rsrsrs

Assistam, não esqueçam de deixar aquela curtida esperta, seu comentário e inscrevam-se no canal! 🙂

Quero muito saber o que vocês acham desse tipo de post para que eu possa melhorar cada vez mais. Eles estão muito longos, por exemplo? Eu gosto de assistir vídeos longos e sou meio prolixa, daí minha dificuldade de fazer vídeos curtinhos. rsrsrsrs Mas e vocês? Desabafem, abram seu coração! S2 #blogueiracoaching

Luto

Apesar de o vlog de hoje ser muito divertido, tenho que falar de um assunto triste. Na semana passada, infelizmente um senhor faleceu ao cair da ciclovia da Bezerra de Menezes direto no asfalto, sendo atropelado em seguida. 😦 Fiquei muito triste e bolada com isso, como sempre fico quando acontece alguma tragédia desse tipo, mas principalmente por ser num local que conheço bem. É impossível não pensar que poderia ter sido eu ou um amigo.

Aí depois que eu postei o vídeo, soube que ontem outro ciclista idoso morreu justamente no Centro da cidade, para onde fomos neste vlog, atropelado por um ônibus. O vídeo já estava pronto e postado, por isso não há qualquer comentário a respeito disso. Mas certamente é algo que abala profundamente toda a comunidade ciclista.

O que eu posso dizer a vocês? Sim, queridos, o trânsito é violento, as tragédias e injustiças acontecem e existe o risco. Essas notícias me assustam, e me levam a pedalar com muito medo e raiva no coração.

Sim, já deixei de sair de bicicleta ou mudei minha rota depois que algo assim aconteceu. Sou um ser humano, não quero morrer no trânsito e tenho medo. Não quero virar estatística de morte de ciclista. Seres humanos são assim, muitas vezes se deixam abalar pelo medo e pela tristeza.

Porém, a gente precisa ter coragem de mudar e de provocar as mudanças. Precisa engolir um pouco esse medo, transformá-lo em algo diferente. Em algo que nos leve à frente e que também nos mostre as alegrias da nossa cidade. Há estudos que mostram que quanto mais bicicletas na rua, menor a quantidade de mortes de ciclistas, e não o contrário, como muitos pessimistas gostam de pregar. Quanto mais bicicletas, mais motoristas conhecem ciclistas, mais motoristas pedalam e mais cuidado tendem a tomar, conforme tantas vezes me disse o Celso Sakuraba, da Ciclovida. Obviamente, quanto mais bicicletas na rua, menos carros também. E são eles os perigosos, não as bicicletas.

Os dois idosos que cito neste post (me desculpem por não dar mais detalhes ou links sobre os casos, mas confesso que ainda não tive coragem de ler muito sobre o assunto) infelizmente não voltaram para suas famílias, como eu e o maridão voltamos nesse dia em que fomos ao Centro. A alegria dos idosos foi parada bruscamente por uma cultura de violência, velocidade e poder.

E se nós parássemos essa cultura? E se ousássemos observar sorrisos e déssemos mais atenção ao som da corrente de uma bicicleta ao invés dos xingamentos e buzinas? E se parássemos para sonhar com mais justiça, educação e bicicletários ao invés de um carro novo? E se, ao dirigir, nos enxergássemos não como os veículos que conduzimos, motorizados ou não, e sim como seres humanos?

Isso já está acontecendo, ainda que não tão rápido quanto gostaria. Não a tempo de salvar a vida dos dois senhores citados neste post. Mas está, e nós podemos fazer parte disso.

 

Um abraço e vamos pedalar!

 

Não é só mais um look – saia azul plissada e camisa branca

Look Cycle Chic Saia azul plissada e camisa branca bordada (1)

Foto: Pâmela Soares

Depois de um tempinho sem pedalar, finalmente um look! Juro que estava com saudade de fotografá-los. Nesse a Shamira não aparece porque eu a deixei algumas noites na chuva e a corrente está enferrujada. ^^’ Aí peguei a Lanterna do maridão.

E vamos ao figurino. A saia vocês provavelmente já conhecem, pois é uma das minhas prediletas. Ela é feita de um tecido leve, que não fica úmido de suor, e permite que eu pedale tranquilamente. E para não ficar tão previsível e cara de colegial, escolhi uma camisa leve de algodão que ganhei da minha sogra e que tem uns bordados fofinhos (o diferencial é o bordado, entendeu?). Aliás, acho lindo esse trabalho, que antes só aparecia em pano de prato e chegou à moda por influência da Zuzu Angel. #diva

A camisa, além de dar uma cara de menininha vintage, é confortável. Muito leve e fresquinha, ela não fica úmida de suor. E quando fica (depois de tantos dias parada, acabei suando mais que o normal) seca rapidinho. Inclusive, nem usei blusinha regata por baixo, só mesmo um top de academia no lugar do sutiã. Também adoro a referência nordestina que ela resgata, de nossas feiras de artesanato.

Look Cycle Chic Saia azul plissada e camisa branca bordada (2)

Já a saia, é do meu modelo preferido, porque acho chique, clássica e muito extrovertida. Confesso que isso se deve, principalmente, porque as minhas referências para este look são de desenho animado e/ou quadrinhos. As meninas (e meninos também que eu sei) que curtem anime devem lembrar da Sailor Moon e suas amigas, né? Ninguém nunca-na-história-desse-país usou saia plissada (ou seria de pregas) com tanta competência e sem mostrar a calcinha como elas. Eu, que não tenho o poder do prisma lunar, boto um shortinho por baixo mesmo.

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Outra diva da ação é a Louis Lane, que no desenho exibido no SBT usava um terninho com uma saia muito chique e parecida com esse modelo. Bem apropriada para as pautas babado que ela cobria, voando por aí com o Super Homem. Gente, como mete o pé na carreira sempre que um alienígena aparece usando saia lápis? Difícil.

loislane

E a terceira referência desta blogueira é a Super Girl, que apesar de não ser minha heroína preferida, também usava saia que lembra uniforme colegial. Nunca esqueci do figurino da personagem, principalmente no filme dos anos 80 que era exibido no Cinema em Casa, no SBT. Lembram? Nos anos 90 o pessoal foi encurtando a roupa dela até que a coitada ficasse praticamente nua nos quadrinhos, acho que por isso prefiro o filme, com efeitos toscos e tudo.

supergirl

Super

Mas, por que será que, de repente vieram tantas referências desse tipo? Acho que porque no dia em que tirei essas fotos, tinha passado por maus bocados no trânsito, com direito a ameaças de motoristas de ônibus e fechadas de taxistas (nessa, inclusive, quase caí e me machuquei feio). Fiquei abalada, afinal, uso a bicicleta justamente na intenção de ter uma forma mais humana de me locomover e me relacionar com minha cidade. E por mais positiva que eu seja, tem horas que essas coisas abalam, não tem jeito.

Para piorar, soube que, na mesma semana, a querida Dani Roste, do Blumenau Bike Style, foi atropelada enquanto pedalava. Embora os ferimentos não tenham sido graves, como ela mesma relatou em seu blog, o fato em si foi bastante grave.

Mas, assim como eu, a Dani vai continuar com sua bicicleta gêmea da Shamira. Isso porque a gente sabe o que quer para nós e para nossas cidades. Mas não vou dizer para vocês que não é difícil engolir o medo e  a humilhação e botar a bike na rua de novo. Nessa hora, acho que temos que bancar super heroínas, vestir nossos looks e mostrar a que viemos e que temos direito sim, às ruas.

Espero que isso mude um dia, e que não seja mais necessário ter que bancar o super herói e sair como se tivesse de “enfrentar” outras pessoas no trânsito. Não acho que motoristas e ciclistas devam ser vistos como vilões uns dos outros, e sim parceiros por uma cidade mais pacífica e de um trânsito menos cruel. Inclusive, a bicicleta ajuda motoristas de ônibus e seus passageiros, afinal, um ciclista na rua é um assento livre a mais no ônibus lotado. Já pensou nisso?

Inclusive, saiu uma matéria esta semana sobre um treinamento pelo qual motoristas de ônibus aqui de Fortaleza estão passando. O objetivo é mostrar a eles como devem se portar próximos aos ciclistas e motociclistas e também saber como eles se sentem. Por coincidência, a empresa é a Vega, a mesma onde trabalha os dois motoristas que me ameaçaram nos últimos dias. Torcer para esse treinamento ser realmente efetivo e mais: que vire exigência para todas as empresas da cidade.

Esperança

Vivencio com muita frequência grandes exemplos de bondade e cortesia enquanto pedalo, e tenho certeza de que eles podem ser multiplicados. Inclusive, no mesmo dia em que sofri muitas violências, já à noite, enquanto voltava para casa, algo despertou de novo a esperança: Parei ao lado de um ônibus no sinal vermelho e vi que ele ia entrar à esquerda no próximo cruzamento, assim como eu. Estava tão desanimada, que ia desistindo de avisá-lo do meu trajeto (apesar de isso não ser necessário, afinal, a preferência era minha) mas acabei falando com ele.

Nesse momento, para minha surpresa, ele disse: “Tudo bem! Pode deixar que eu vou tomar cuidado! A GENTE TEM QUE CUIDAR UNS DOS OUTROS, NÉ”? Aí ele me disse para passar na frente, estacionou atrás de mim, esperou que eu completasse a curva e só depois passou, me protegendo dos carros que vinham atrás.

Já do outro lado da rua, dei tchau para o motorista que reaqueceu meu coração depois de um dia triste, e ele me deu tchau também, e ainda buzinou de leve. Aquela buzinada simpática, que às vezes não ouvimos diante de tantas que expressam impaciência e raiva no cotidiano.

“A gente tem que cuidar uns dos outros”. É desse projeto que participo e no qual creio.

Dani, querida, um grande beijo pra ti! Vamos seguindo.

E para vocês, queridos leitores, o de sempre, mas não menos importante:

Um abraço e vamos pedalar!

Entrevista no Cadeira Cativa – O Estado CE

Tive a chance de bater um papo muito legal com meu amigo e colega de profissão Tarik Otoch, no quadro Cadeira Cativa, do site do jornal O Estado. Num clima super descontraído, falamos sobre o blog, suor, buracos, violência urbana em Fortaleza e as alegrias e desafios de pedalar aqui na capital cearense. Me senti no sofá do Jô! hahaha Confere aí 🙂

Já é a terceira entrevista que dou para O Estado. A última foi para a seção Estrelas da Internet, e quem fez foi a querida Cely Fraga. Uma imensa honra ser procurada e conceder entrevistas para meus colegas de profissão, pessoas competentes e que admiro muito.

Tomara que vocês gostem!

Um abraço e vamos pedalar!

 

Entrevista – Celso Sakuraba

Celso Sakuraba De Bike na Cidade Sheryda Lopes

Ex-presidente da Associação de Ciclistas Urbanos de Fortaleza (Ciclovida) e atual membro da diretoria, advogado, Bike Anjo, professor de inglês… Muitas atividades para uma pessoa só, e todas exercidas com o mesmo meio de transporte: a bicicleta. Com vocês, Celso Sakuraba.

Há quanto tempo você pedala?

Há três anos.

Quando você percebeu que era possível utilizar a bicicleta como um meio de transporte para as atividades do cotidiano, e não apenas como lazer ou esporte?

Nunca concebi bicicleta como lazer ou esporte. Já comecei a utilizá-la como transporte, quando estudava na Universidade de Coimbra, Portugal.

Quantos quilômetros você pedala por dia e para quais atividades?

Varia conforme a quantidade de alunos, já que lecionar inglês é minha atividade que exige mais deslocamentos. Alguns dias não passam de 10km, outros chegam a 40km. Todo deslocamento que faço é por bicicleta, portanto, todas as atividades.

Em Fortaleza, uma das preocupações das pessoas é em relação ao calor da cidade, e à possibilidade de chegar suado nos locais de trabalho, por exemplo. Como advogado, você usa roupas sociais e precisa estar bem arrumado. Tem algum truque para evitar as manchas de suor e não fazer feio em audiências?

Calor é o menor dos problemas. O suor – que é cada vez menor à medida que a pessoa se acostuma com a bicicleta – seca em minutos. Cada pessoa tem sua forma de lidar com isso. Eu uso uma camiseta branca por baixo da camisa social. Ela absorve todo o suor. O bagageiro impede o suor causado pela mochila nas costas em trajetos acima de 8 km. O paletó pode ser levado na mochila, mas costumo pedalar vestindo-o. Mesmo se eu não adotar nenhuma destas medidas, haverá gente na audiência mais suada do que eu. Suor é totalmente normal e cotidiano, mas só pensamos nele quando falamos de bicicleta, por ser algo alheio ao costume de muitas pessoas. Todo mundo sua. Isso nunca foi um problema.

Seus colegas estranham quando você chega de bicicleta?

Quando estaciono, imagino que não saibam que sou advogado. Dentro do Fórum, ninguém sabe que eu cheguei de bicicleta.

Falando de aspectos jurídicos, que informações você considera importantes para o ciclista urbano? O que ele precisa saber?

A bicicleta é um veículo e tem direito à faixa. Demais condutores devem aguardar atrás e mudar de faixa para ultrapassar. Desrespeitar esta norma é colocar a vida de outrem em risco, o que é um crime. Em caso de desrespeito, é possível chamar a polícia.

Como você avalia o cicloativismo e a inserção da bicicleta no debate e no cotidiano dos fortalezenses?

Fui presidente da Ciclovida em 2014 e atualmente, sou diretor e 2º Tesoureiro. O cicloativismo é fundamental para a mudança das cidades. Só há avanços quando há luta. Este é um fenômeno percebido em todo o Brasil. A razão para isso é que, diante do surgimento do carro, a elite passou a utilizá-lo. Os motoristas, que sempre foram minoria, passaram a ameaçar os ciclistas e a expulsá-los da via através do poder da força física. O poder público, controlado pela mesma elite que conduz os carros, legitimou a agressão ao mantê-la impune e através de medidas que dão a entender que a via é dos motorizados, como o aumento na velocidade máxima e a adaptação das vias para que os motoristas se sintam à vontade utilizando velocidades perigosas. Enquanto não forem os detentores de cargos públicos a sofrer o desrespeito nas ruas – e, principalmente, enquanto forem eles os que o praticam -, não haverá mudança sem luta popular.

Gostaram da entrevista? Deixem sua opinião aí nos comentários!

 

Um abraço e vamos pedalar!

 

Sindiônibus fala sobre atropelamentos de ciclistas

Bom dia para você que não passou todo o feriado tossindo muito e sem voz! rsrsrssr Espero que sua Semana Santa tenha sido ótima. Agora, de volta à ativa! 🙂

No último post, falei sobre dois protestos realizados pelo movimento Massa Crítica aqui em Fortaleza. No primeiro, tive o desprazer de presenciar o atropelamento de um ciclista que participava da bicicletada. Um motorista de ônibus jogou o veículo sobre o grupo, batendo em um dos participantes. Pouco tempo depois, uma outra ciclista foi atropelada por uma motorista de carro particular que fez a conversão à direita sem olhar, colhendo a menina na ciclofaixa. Por sorte, ambos sobreviveram.

Os casos levaram a Massa a se mobilizar mais uma vez. Alguns dias depois, ciclistas foram até os orgãos que consideram responsáveis pela violência ao ciclista no trânsito e pintaram palavras de ordem no asfalto e na parede. Os locais das ações foram a Autarquia Municipal de Trânsito de Fortaleza (AMC), a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), o Paço Municipal e a sede do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus).

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Protesto da Massa Crítica em frente ao Sindiônibus. Fonte: Massa Crítica/Facebook

Entrei em contato com todos eles, mas, até o momento a Prefeitura não se posicionou sobre o assunto. Já o Sindiônibus, por meio de sua assessoria de imprensa, entrou em contato com o De Bike na Cidade e enviou uma nota, que publico a seguir, na íntegra:

 O Sindiônibus lamenta o que ocorreu ao mesmo tempo em que está tomando providências no sentido de apurar mais detalhes sobre o fato [atropelamento do ciclista durante a Massa Crítica], sempre com o objetivo de identificar possíveis falhas e adotar medidas para a melhoria do serviço, tendo como prioridade o ser humano, quer seja o trabalhador quer seja o usuário, ciclista, pedestre, ou seja, todo cidadão que convive de alguma forma com o sistema de transporte coletivo.

Uma prova disso são os investimentos constantes realizados em treinamento e qualificação dos nossos 11 mil operadores que compõem o quadro do Sindiônibus e das vinte empresas associadas. O DRH (Desenvolvimento de Recursos Humanos) do Sindiônibus e o Criarht (grupo formado por profissionais de Recursos Humanos das empresas associadas) aplicam semanalmente o treinamento Qualidade no Atendimento a Clientes e Acessibilidade, além dos diversos treinamentos oferecidos individualmente por cada empresa de ônibus. Hoje, dia 02 de abril, foi realizado treinamento dessa natureza, na sede do Sindiônibus.

Todos os motoristas e cobradores que entram nas empresas de ônibus recebem esse treinamento que acontece toda sexta-feira às 9h no auditório do Sest Senat e é ministrado por psicólogos de recursos humanos das empresas associadas ao Sindiônibus.

A qualificação tem como objetivo informar e sensibilizar novos colaboradores do sistema urbano para o atendimento a clientes com qualidade, sobretudo àqueles com mobilidade reduzida.

Dentre os temas aplicados no treinamento estão: Qualidade no atendimento e acessibilidade: Nosso papel na inclusão social; O que é acessibilidade; Atendimento aos clientes especiais; Ciclistas; Atendimento ao Idoso; Atendimento à Gestante; Atendimento a Criança; Atendimento a pessoa com deficiência; Deficiente Visual; Deficiente Auditivo; Deficiente Físico; Nosso diferencial é você; Competências essenciais para qualidade no atendimento ao cliente; Campanha: Faça a diferença com boas atitudes, como também o programa Entendendo o SIT-FOR (Sistema Integrado de Transporte).

Esse programa existe desde 2012 e é uma ação criada por iniciativa do Sindiônibus, para capacitar os motoristas e cobradores que entram no sistema de transporte de Fortaleza e região metropolitana e ensina como lidar e como funciona o sistema de transporte coletivo que possui 1955 veículos, 11.682 operadores, 20 mil viagens por dia e atende 1 milhão de passageiros diariamente.

Informações sobre os direitos e deveres dos operadores, organização e operação do sistema, além de orientações gerais, que ajudarão os operadores a exercer suas atividades de forma correta e eficiente, são abordadas no Entendendo o SIT-FOR. Ao final do curso, cada um recebe o Manual do Operador.

Sindiônibus

Em meu contato com o Sindiônibus, questionei sobre qual é a orientação dada aos motoristas que percorrem as vias exclusivas para ônibus e que também são usadas por ciclistas. Vários pedaleiros que conheço se queixam que a atitude dos profissionais do transporte público e bastante hostil em relação aos ciclistas nessas vias e eu mesma já tomei várias finas mesmo a pista estando livre, possibilitando que o profissional mudasse de faixa para me ultrapassar. Os profissionais estariam sendo pressionados a realizar as viagens em menos tempo? Em sua nota, o sindicato patronal não comenta essas questões.

Associação dos Ciclistas Urbanos de Fortaleza defende compartilhamento das vias para ônibus

Associação dos Ciclistas Urbanos de Fortaleza defende compartilhamento das vias para ônibus

O que vocês acharam do posicionamento do Sindiônibus? Quando está pedalando, como é sua convivência com os motoristas do transporte coletivo? Contem aí nos comentários! Quero muito saber qual é a opinião de vocês.

 

Um abraço e vamos pedalar!