Vi de Bike – amigos no Benfica + Evento Ciclochique hoje

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Há alguns dias participei como voluntária da contagem de ciclistas realizada pela Ciclovida (confira o resultado aqui) no cruzamento da avenida da Universidade com a avenida Domingos Olímpio. Quando terminamos os trabalhos, resolvi dar uma volta pelo Benfica. Fui a um restaurante vegetariano que adoro, encontrei amigas e, na volta, fiz algumas fotos dessa galera simpática. Compondo o cenário, novas ciclofaixas que contemplam o bairro, passando ao lado da famosa (e querida) Praça da Gentilândia.

Brevemente, da esquerda para a direita, conheça essa turma:

Felipe Bira, 22 anos. Estudante e viajante (conforme suas próprias palavras). Pedala há cerca de três anos.

Manjari, 32 anos. Ciclana e mãe. Pedala há tanto tempo que nem sabe quando começou.

Luiza Helena, 22 anos. Yogue e viajante (acho bapho esse povo que se descreve como viajante). Pedala há seis meses.

Evilene Castro, 32 anos. Ciclana e professora. Utiliza a bicicleta como meio de transporte há três anos.

A Manjari e a Evilene eu já conheço, e sei que são pura energia positiva. Os outros dois conheci no dia e senti boas vibes também. E o que une a todos? A bicicleta, é claro! ^^

E vocês? Conhecem essa ciclofaixa? O que acharam? E há quanto tempo vocês pedalam? Contem aí nos comentários!

Ciclochique

Aaaaah! E logo mais, à noite, tem Ciclochique, viu? O evento é parte do Mês da Mobilidade e tem o intuito de mostrar que é possível pedalar com looks que vão além do esportivo. Ou seja: dá pra ir prontinho para o trabalho, encontrar a galera, curtir balada, cinema… Então, escolham se vão adotar um look mais casual, ou se vão aproveitar o evento para se montar e ostentar luxo e glamour. O importante é estilo e claro, o amor pelas bikes. 🙂 Eu ainda estou em dúvida sobre o que vou usar, e olha que já treinei até pedalar de salto durante a divulgação do evento há algumas semanas.

Ciclochique

Mais informações no evento no Facebook. E para saber mais sobre o Mês da Mobilidade, acesse o post que fiz sobre o assunto. Sério, esse mês tá incrível!

 

Um abraço e vamos pedalar!

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Vi de Bike – Gabi Zaupa

Vi de Bike Gabi Zaupa Blog De Bike na Cidade by Sheryda Lopes (1)

Já contei que as pessoas mais estilosas da cidade estão no Benfica? Pelo menos é o que eu sinto sempre que ando por lá, pois é cada acessório lindo, cada estilo de cabelo… E foi numa dessas que encontrei a Gabi Zaupa, estudante e professora de línguas, 25 anos. Ela pedala desde o final de 2013, mesma época em que comecei, para se locomover pela cidade. O mesmo percurso que ela faz de ônibus, em cerca de uma hora, de bicicleta leva no máximo 30 minutos. #nãoémagiaétecnologia No total, são pelo menos seis quilômetros para ir e voltar das aulas, menos da metade dos 14 que ela percorria logo que começou a pedalar. “Agora moro mais perto de onde estudo e leciono”, explica.

Gabi começou a pedalar por influência de amigos que usavam a bicicleta e também pela vontade de se exercitar. “Apesar de achar que desse jeito que eu faço não é exercício”, brinca ela.

Estilo

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Vi de Bike Gabi Zaupa Blog De Bike na Cidade by Sheryda Lopes (3)

Para pedalar, sua principal preocupação é o conforto. Assim que começou a usar a bicicleta já deu preferência a leggings e vestidos, e sempre usa acessórios interessantes para turbinar o visual. Vegetariana, ela evita couro e dá preferência a sapatos de pano.

Para evitar o suor, ela procura respeitar o ritmo do próprio corpo, pois percebeu que quanto menos se esforçar, menos ficará suada. Com a experiência das pedaladas, hoje o suor já não a preocupa tanto, pois o corpo se adaptou aos movimentos.

E eu quase consegui terminar este post sem a referência de “Azul é a cor mais quente”, mas me perdoa, gente. Li o HQ dia desses e não teve como. Me digam se esse cabelo azul da Gabi não é encantador? Porém, mais encantadora que os cabelos com certeza é a simpatia da moça!

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Um abraço e vamos pedalar!

Eventos – Oficina de bike para mulheres, Eba Castelão e Carimba o Carimbó

Amanhã tem tanto evento legal aqui em Fortaleza que você vai ficar em dúvida sobre para qual ir. Eis algumas das opções (se souber de mais algum, fique à vontade para escrever nos comentários):

 

Oficina de Bike • Coletivo Ciclanas

Oficina coletivo CIclanas

Mais um evento fruto da maravilhosa mobilização entre as mulheres que pedalam aqui de Fortaleza. Gente, sério, pense numas guerreiras, viu? Inclusive, já temos um nome: Coletivo Ciclanas. Não é fofo? ^^

A oficina amanhã vai ser em parceria com o Estar Urbano, uma iniciativa super legal que promove integração urbana aqui em Fortaleza.

Oficinantes: Valéria Brayner e Aspásia Mariana.

Oficina de bike sobre como consertar e dar manutenção na sua própria bicicleta, ministrada pela Valéria e pela Aspásia, que fazem parte do grupo ” Ciclanas – Mulheres de bike no transito de Fortaleza!”. O evento também é uma oportunidade para uma roda de conversa e trocas de experiências com mulheres que utilizam a bicicleta como meio de transporte no dia a dia. A oficina é para pessoas de todas as idades!

TRAGAM SUAS BIKES! Assim fica mais fácil de aprender o que a Valéria e a Aspásia vão ensinar! ♥

Horário: 9h.

Onde: Parklet Beira Mar.

Mais informações: Evento no Facebook.

 

Carimba o Carimbó

Carimba o carimbó

Não lembro a última vez em que joguei carimba (acho que em alguns estados o nome dessa brincadeira é queimada) ou bandeirinha, que eram minhas brincadeiras preferidas na infância. Com certeza amanhã será uma ótima oportunidade! E dessa vez eu não quero ser café com leite.

A ideia é movimentar os domingos e ocupar as ruas do BENFICA com aquilo que adorávamos fazer quando éramos criança, brincar na rua de diversas coisas: carimba, bandeirinha, sete vidas, etc. Aproveitando essa deixa, vamos embalar todas essas brincadeiras ao som do CARIMBÓ, matando uma larica com uma feijoada vegana e se refrescando com uma cerveja bem geladinha. Vai perder? Vem pra cá, traz os amigos, as amigas, papagaio, piriquito e formem suas equipes. Vem pro CARIMBA bailar um CARIMBÓ.

Horário: 12h.

Onde: BECO DOCE – Rua Instituto do Ceará, 146 – Benfica.

Mais informações: Evento no Facebook.

 

Escola Bike Anjo Castelão (EBA Castelão)

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Mais uma chance de aprender ou ensinar a pedalar. Também é um evento maravilhoso para quem tem dúvida sobre como se comportar no trânsito e também sobre como escolher uma bicicleta.

Bike Anjos são ciclistas experientes e apaixonados pelo seu meio de transporte que ajudam pessoas que querem aprender a andar de bicicleta na cidade com mais segurança gratuitamente.

Venha aprender a pedalar ou tirar dúvidas!

PRECISAMOS DE VOLUNTÁRIOS!
Temos tido um crescimento considerável na quantidade de alunos por edição. Por favor, voluntarie-se para ajudar a ensinar! Basta já saber pedalar e ter vontade de ensinar para poder ser um Bike Anjo!

Basta aparecer às 16 horas que damos as instruções iniciais
Entre em contato conosco para mais informações.

Apoio:
Arena Castelão
Luarenas

Horário: 17h às 20h.

Onde: Arena Castelão.

Mais informações: Evento no Facebook.

E aí, já escolheu para onde ir? Então, chame a galera e aproveite!

Um abraço e vamos pedalar!

Leitores que pedalam – Pedro Humberto e a acerola

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Uma das coisas mais legais de pedalar pela cidade é que a gente descobre que pode vivenciá-la de um jeito mais próximo e humano. Me digam se dá para parar e colher um frutinha enquanto está preso num engarrafamento terrível ou ainda, se estiver cheio de estresse e medo? Não, né? Aliás, na correria, até esquecemos de que existem árvores frutíferas em Fortaleza. Mas de bicicleta, o olhar da gente é bem mais relaxado e até poético.

Uma das pessoas que tem esse olhar é o fotógrafo Pedro Humberto, 58, que trabalha no Museu de Arte da UFC, localizado no Benfica. Ele mora a menos de um quilômetro do trabalho, percurso que costuma fazer de bicicleta, a pé ou ainda, de moto. Há três meses ele adquiriu a Angelina, essa bike dobrável aro 20 fofíssima e com ela para de vez em quando nesse pezinho de acerola, que fica na rua Carlos Câmara. “Quando as frutas estão molhadas de chuva é ainda melhor. Será que aqueles que passam de carro, ao menos notam que existe ali um pé de acerola”?, contesta o fotógrafo, que lamenta a ausência de ciclofaixas no Benfica.

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Gostaram? Eu adorei! Vou começar a reparar nos pés de jambo pela cidade e voltar com o cesto cheio para casa.

Ah, e o Humberto mandou as fotos dele e um pouquinho de sua história para o email debikenacidade@gmail.com . Mande você também! Vou adorar saber mais sobre você e sua bicicleta.

Um abraço e vamos pedalar!

Vi de Bike – Marla Monise

Marla Monise De Bike na Cidade Jack de Carvalho

Foto: Jack de Carvalho

 

Uma das coisas mais legais que acho é encontrar bicicletas customizadas. Por mais que o detalhe adicionado à magrela seja simples, para mim, ele demonstra o carinho e identificação que a/o ciclista tem com sua bike. Aí que um dia desses estava bebendo com uns amigos no bar do Ferro Velho, no Benfica, quando vi uma menina chegando de bicicleta para encontrar os amigos. Já fiquei super feliz de ver uma menina indo ao bar de bike, né? Aí quando vi que o cestinho dela estava toda enfeitada de flor, tive que ir lá conversar e tirar uma foto.

O nome da moça é Marla Monise, 26 e ela é advogada. Ciclista urbana há cerca de nove meses, começou a pedalar depois de receber muitos convites de amigos. Foi aí que conseguiu uma bicicleta emprestada para experimentar. Depois de um mês pedalando, foi conquistada e comprou a própria bicicleta num local especializado onde pôde montar o veículo do jeito que achou melhor.

Ela usa a bicicleta principalmente para encontrar amigos e fazer percursos mais curtos. Pressa não está em seu vocabulário. “Faço questão de ir devagar, curtindo a paisagem e relaxando. Por isso mesmo nem uso capacete, já que pedalo a menos de 20 km por hora, quase na mesma velocidade dos pedestres”, conta.

Entre as coisas ruins que enfrenta ao pedalar, está o machismo, principalmente na forma de cantadas. Mas o cabra que mexe com Marla não sai impune, porque a moça não deixa barato. “Cantadas incomodam demais! Geralmente eu volto, pergunto se ele me conhece. Sou arisca e zangada”. Pois faz muito bem!

Quem fez as fotos da Marla foi meu amigo Jack de Carvalho, que estava na mesa comigo. Escolhemos uma parede linda do bar, toda grafitada, e por sorte um dos artistas responsáveis pela obra estava presente, e claro, aproveitei e pedi para ele aparecer também. É o Ramons Sales, que executou essa linda parede junto com o Isleudo Soares, que não aparece na foto porque está no Canadá não estava no bar.

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Foto: Jack de Carvalho

 

Um abraço e vamos pedalar!

Conto – Arlequina

Conto Arlequina Blog De Bike na Cidade Sheryda Lopes

Primeira noite de carnaval. Diego pegou a bicicleta e foi na direção da casa de seu sócio e melhor amigo para um encontro que já virou tradição:  Desde a adolescência eles marcavam com a turma da escola para madrugar e divertir-se com jogos diversos por praticamente todo o carnaval, já que não eram fãs da folia. Foi durante esses encontros que nasceu a ideia de montar uma empresa de jogos digitais para fins publicitários. Nos anos 90, o projeto poderia parecer sonho de criança, mas nos anos 2000, a história era outra: em três anos os amigos conquistaram visibilidade com muito trabalho duro e talento com os computadores. Típico caso dos cdf’s/nerds que, antes atacados e discriminados no colégio, conquistaram sua fatia no mercado da tecnologia.

Já era tarde e as ruas do bairro Benfica já estavam cheias de música, confete, e pessoas fantasiadas. Para evitá-las, Diego escolheu ruas secundárias com menos movimento, enquanto planejava estratégias no War para a jornada que viria. Também pensava em assuntos de trabalho a serem conversadas com o amigo. Gostava de pedalar pois isso o relaxava, aproveitando o percurso para deixar os pensamentos irem e virem à vontade.

Já afastado da movimentação e quase chegando ao bairro vizinho, Diego deparou-se com uma cena inusitada:  uma garota fantasiada de arlequina (uma tradicional, não a vilã do Batman) tentava puxar a tampa de um bueiro com um guarda-chuva quebrado. A fantasia não tinha como ser mais espalhafatosa, cheia de brilhos, tules e lantejoulas. No rosto, ela trazia uma máscara feita de um material brilhante e ornado com glitter.

Diego aproximou-se com a bicicleta da curiosa arlequina, que estava numa posição ridícula tentando arrancar a tampa pesada do chão.

– Oi, precisa de ajuda?

A jovem estava tão absorta na batalha que travava com a peça de metal, que se assustou e deu grito. Com o susto, largou o guarda chuva e caiu sentada no chão. A reação não foi à toa, pois além de a rua estar deserta, os assaltos naquela região eram constantes. Diego saltou da bicicleta e foi socorrer a menina, desculpando-se pela súbita abordagem.

–  Calma! Quero te ajudar! Você se machucou?  – disse enquanto estendia a mão, oferecendo apoio para que a colorida figura se levantasse.

Ela o observou por um momento e, ao não avistar nenhuma arma ou ameaça, aceitou a oferta e levantou-se, enquanto tentava tirar a areia da saia.

– Estou bem, não foi nada. Não vi você e por isso me assustei – ela disse, obviamente frustada, cansada e irritada pela situação. Tímido, Diego ficou sem graça por ter provocado a queda, mas nunca foi bom para conversar com as garotas. Observando a menina se limpar e em seguida colocar as mãos na cintura num claro sinal de impaciência, ele enfim encontrou algo óbvio e estúpido para dizer:

– O que você estava fazendo?

Chateada, a garota explicou que sua carteira com dinheiro e documentos havia caído no bueiro, e que há mais de meia hora ela tentava, em vão, arrancar a tampa e recuperar seus pertences. Reclamou que estava muito escuro e que suas amigas provavelmente estavam esperando na festa, mas o celular havia descarregado e ela não tinha como pedir ajuda.

Diego viu que a tampa era pesada e estava bastante enferrujada, além de coberta de mato e lixo. Tentou encontrar por entre as grades a tal carteira, mas o interior do buraco estava um completo breu. “Se isto aqui fosse Resident Evil, o item brilharia, mas na vida real não é assim”, devaneou da forma mais nerd possível.

Num vislumbre, teve uma ideia. Foi até a bicicleta e retirou a lanterna que levava presa no guidão e que utilizava para chamar atenção quanto à sua presença no trânsito. Retornou, ligou o objeto e apontou a luminosidade para o interior do bueiro. Viu então que a carteira não caíra muito fundo, ficando presa acima de caixas e outros resíduos que ele preferiu não observar tão bem. Estava próxima da borda o suficiente para ser pego com a mão, bastando para isso enfiar o braço por entre as grades. Não seria a tarefa mais agradável do mundo, mas era perfeitamente possível. Além disso, Diego gostaria de, pelo menos uma vez, bancar um super herói, ainda que a vítima é que estivesse mascarada.

– Segura essa lanterna pra mim, por favor?

A arlequina entendeu o que ele pretendia e atendeu à solicitação. Se abaixou e apontou a lanterna para a carteirinha cor de rosa, tentando ficar o mais parada possível.

– Tome cuidado. Se você se machucar, pode pegar uma infecção.

Ele estava ciente disso, e lutava contra vários medos e muito, mas muito nojo. Já pensava em todo o sabonete antisséptico que usaria para matar os germes daquela empreitada. Mas entre as várias coisas que estava pensando, sem deixar transparecer para sua mocinha indefesa, uma gritava mais alto: “Por favor, não tenha um rato. Por favor, não tenha um rato”!

– Pode deixar, vai dar certo.

O sorriso de agradecimento da mascarada foi o suficiente para que ele tomasse coragem. Se viesse um rato, ele o enfrentaria. “Mas tomara que não venha”.

Lentamente, enfiou o braço pelo espaço entre duas grades, tomando o máximo de cuidado para não encostar nas barras de ferro. Quando já estava praticamente todo abaixado e já tinha enfiado o membro até a altura do cotovelo naquele vão de imundície, conseguiu tocar a carteira e segurá-la. Em seguida, recuou lentamente até ficar livre da sujeira e recuperar de vez o objeto.

Feliz, a garota bateu palmas e deu vários pulinhos.

– Você conseguiu!!

Orgulhoso de si mesmo, ele entregou  a carteira imunda para a mascarada. Com nojo, ela a tocou com a ponta dos dedos. Em seguida abriu a bolsa e retirou alguns lenços. Limpou o objeto, o enrolou com alguns dos lencinhos e o guardou na bolsa que trazia a tiracolo.

– Depois dessa, acho que vou jogar esta carteira no lixo, disse, rindo.

– É verdade, respondeu Diego.

Os dois pararam por um momento e se encararam, felizes por ter conseguido recuperar a carteira.

– Olha, muito obrigada. Não sei o que faria se você não tivesse aparecido. Aliás poderia ter aparecido um ladrão ou coisa pior. Mas que bom que foi você.

Completamente vermelho e suando de nervoso, ele respondeu:

– Que é isso, tá tudo bem. Mas agora precisamos sair daqui. Você estava indo até aquele baile na Travessa Quixadá? Sobe na minha garupa que eu te levo.

Ela olhou para a bicicleta e aceitou a oferta. Não queria gastar o restante da sorte percorrendo três quarteirões escuros. Além disso, estava cansada após tanto esforço para retirar a tampa do bueiro. Uma carona definitivamente não cairia mal, embora estivesse com certo peso na consciência por abusar da boa vontade de seu salvador.

Diego encaixou novamente a lanterna no guidão e subiu no selim. A arlequina sentou-se de lado na garupa e segurou-se no apoio que havia atrás do assento. Ele começou a pedalada no sentido contrário ao que percorrera para chegar até ali. A imagem era bonita e surreal, parecia ter sido tirada de um cartaz europeu: um rapaz vestido com roupas sérias e usando óculos de aros grossos, enquanto uma romântica arlequina cheia de tules e cores descansava confortavelmente e aproveitando o passeio.

– Você não estava indo ao baile?

– Não, na verdade não gosto muito desse tipo de festa. Estava indo até a casa de um amigo. Nosso carnaval vai ser um pouco diferente.

– Madrugada de jogos?

Surpreso, Diego olhou para trás.

– Como você sabe?

– Ah, imaginei. Já fiz isso. Também gosto da folia, mas confesso que meu melhor carnaval foi quando finalizei Zelda no Super Nintendo, mas isso foi há muitos anos. Teve outra vez que eu e uns amigos descolamos um Nintendo 64 e passamos todo o feriado jogando Perfect Dark, 007 versus Goldeneye… mas tudo no multiplayer, sabe? Nada para finalizar.

Num turbilhão de sentimentos, o ciclista não sabia se caía duro com a surpresa ou se descia da bicicleta e começava a cantar. Nunca imaginou que a garota mascarada e coberta de glitter pudesse ter dito aquelas palavras. Embora a quarta série já tivesse passado há muito tempo, naquele momento teve certeza de que estava apaixonado.

– Jura que você gosta de video game?

– Ih, gosto demais. Mas também gosto de card games, jogos de tabuleiro… o difícil é juntar gente hoje em dia pra jogar, né? Todo mundo sem tempo, aquelas coisas… É até chato ver os jogos juntando mofo e poeira. Além disso tudo é online, uma chatice. Ninguém quer mais se encontrar, fica cada um no seu quadrado. Tenho saudade dos tempos do colégio.

Ele sentiu que aquela era a deixa. Encontrara a mãe de seus filhos e com certeza não podia deixar passar a oportunidade. Ok, ela parecia ser uma Nintendista, enquanto eles era um Sonista roxo, colecionador de Playstations, mas toda relação tem seus problemas.

– Olha, se você quiser jogar com a gente qualquer dia…

Antes que terminasse a frase, a arlequina gritou. Do outro lado da rua, agora numa área mais movimentada do bairro, mais três mascaradas gritaram e acenaram para ela de volta.

– Minhas amigas!

A garota saltou da bicicleta e correu em direção a elas. Com a mudança súbita de peso, ele quase perdeu o equilíbrio da magrela, mas pôs o pé no meio fio e observou enquanto ela contava a aventura pela qual tinha passado, gesticulando muito e dando as costas para ele. Nesse momento ele sentiu que havia sido esquecido, e resolveu continuar pedalando. Voltara aos tempos de colégio e à indiferença das meninas. E era incrível como aquilo ainda doía.

Depois de alguns metros, ouviu um “eeeei” e olhou para trás. A mascarada corria atrás dele e acenava. Surpreso, ele deu meia volta e se aproximou dela, que aliviada, parou de correr e se apoiou nos próprios joelhos.

– Por que você foi embora? Nem deixou eu me despedir, queixou-se, ofegante.

Sem graça, ele soltou a primeira desculpa que veio na cabeça.

– É que eu tô meio atrasado e o pessoal tá me esperando.

– Ixi, eu também! As meninas tão ali loucas para me matar. Mas me fala, qual é o seu Facebook? Eu posso te adicionar? Aí a gente combinava de jogar qualquer dia desses. Pode até ser nesse carnaval mesmo.

Ele ficou mudo por menos de um segundo, para em seguida sorrir e soltar um “Claro”! cheio de alegria e alívio. Disse a ela qual era seu nome na rede social. Ela anotou num papelzinho e guardou na bolsa.

– Tá certo! Acho que só vou acessar amanhã porque o meu celular descarregou, mas a gente combina.

Subitamente, a menina se aproximou do ciclista, o segurou pelos ombros e tascou-lhe um beijo na bochecha.

– Vou lá. Muito obrigada!

Depois virou-se e saiu correndo na calçada, rumo às amigas que a aguardavam.

Tremendo, Diego começou a pedalar debilmente, enquanto dava tchau para a menina, que sequer estava olhando para ele. De repente, a arlequina se virou e gritou:

– Não esquece de me adicionar!

Ao que ele respondeu:

– Pode deixar!

Rumou para a casa do amigo, preparado para monitorar o Facebook nas próximas horas. Algum tempo depois, percebeu que sequer sabia o nome da misteriosa garupeira ou vira seu rosto, mas depois de tanta loucura, certamente esse não seria um problema. De alguma forma, ele sabia que a reconheceria quando fosse adicionado.

Gostaram? Espero que sim. Esta notinha é só para lembrar que o sorteio da pulseirinha e da tela será ainda hoje, por volta das 17h. Então, se você ainda não está participando, corre que dá tempo. Clique aqui e siga as instruções.

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Um abraço e vamos pedalar!

Look de Bike – Caia na folia!

Pré-Carnaval, Carnaval… o que não falta é festa em fevereiro. E que tal ir de bike para a folia? Não é impossível, tanto que o look de hoje foi usado para curtir o pré-carnaval aqui em Fortaleza, lá no bairro Benfica. Apesar de a festa não ter dado muito certo pra mim (mais detalhes ainda neste post) espero que esse look feliz anime e inspire seu feriado.

Look Cycle chic Carnaval Fluorita De Bike na Cidade Sheryda Lopes1

Look Cycle chic Carnaval Fluorita De Bike na Cidade Sheryda Lopes2

As peças são: Vestido/blusão amarelo da Fluorita, shortinho branco com aplique de lantejoulas douradas comprado num bazar por R$ 4 (JURO) e sandália Beira Rio rosa que já apareceu em outro look. Porque eu não sou rica e aqui tem peça repetida. #RealLife Esqueci de fotografar, mas logo que ia saindo de casa um desses colares que estou usando quebrou quando inclinei o tronco na direção da mesa da bicicleta e a bijuteria prendeu no gatilho de mudar a marcha. Então, cuidado ao pedalar com colares longos.

Colar quebrado guardado na bolsa, consegui convencer o marido – que não gosta de carnaval – a me acompanhar e lá fomos nós só no Alalaô ôôô ôôô, cada qual na sua bike. Distância: cerca de oito quilômetros da nossa casa. Quando estávamos relativamente perto, comecei a me sentir muito cansada, suando e com dificuldade para levar a bicicleta. Então constatamos que a câmara de ar traseira da Shamira tinha furado, por isso ela tinha ficado mais pesada. Isso foi uma surpresa, pois havia poucos dias que eu tinha trocado pneu, câmara e ainda tinha colocado fitas anti-furos nos dois aros. O pior é que já estava quase anoitecendo e era sábado, e não sabíamos onde encontrar uma borracharia aberta. Nessas horas seria maravilhoso se um de nós já tivesse aprendido a realizar esse tipo de reparo e claro, estivesse com os itens necessários para tal. Mas o máximo que sei é limpar e lubrificar a corrente. #noob

Fomos empurrando as bicicletas por uns dois quarteirões até que encontramos um lugar para consertar a câmara. O chato é que o dono da borracharia disse que o furo era resultado de uma falha e que provavelmente ia acontecer de novo. Já tendo perdido boa parte da festa, saímos de lá rumo à folia. Ah, e o conserto custou só R$ 3.

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Shamira na manutenção

 

Deixamos a bike no Shopping Benfica, e fomos caminhando até o local da festa. Cerca de três quarteirões depois, constatamos que o lugar estava muito, mas muito lotado. Apesar de a música ser ótima, não tinha como se divertir naquele empurra-empurra. E sem falar no calor terrível que estava fazendo e nada de a gente encontrar conhecidos. Como boa esgalamida que sou, comecei a ficar com fome e sede e fomos traçar uns sanduíches. Depois, um saco de pipocas. Aí apareceu um amigo (finalmente) dizendo que estava indo embora (!). Cansados e meio arrependidos de ter saído de casa, pegamos o embalo e resolvemos voltar também. Acho que não passamos nem meia hora no bloco de pré-carnaval!

De volta ao Shopping, foi um alívio enorme entrar num lugar com ar-condicionado. E bateu de novo a fome (somos Digimons, meu povo) e fomos comer porcarias na Praça de Alimentação. Dois nerds que saem para a farra e terminam comendo sanduíches e milk shakes no shopping! rsrsrsrs Ainda fomos ao cinema ver se tinha algum filme legal passando, mas estava fechado. Então decidimos só comer e rir da situação. A foto abaixo mostra o mais próximo que chegamos de curtir o carnaval e a folia: a frente de uma vitrine de uma loja de fantasias. ^^’

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As faces da curtição

Imagino que você saiba aproveitar uma boa festa de carnaval com mais competência que a gente, então, desejo um bom feriado. Já a gente, provavelmente vai ficar no War e video game. hehehehe

Ah, o sorteio da pulseirinha e da tela é amanhã, gente! Participem!

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Um abraço e vamos pedalar!