Mande as Ciclanas para São Paulo!

ciclanas catarse bicicultura blog de bike na cidade by sheryda lopes

Bom dia, amores! Vou abrir a semana pedindo ajuda a vocês e dando a dica de um evento babado que vai rolar no final deste mês: o Bicicultura!

O maior encontro nacional de mobilidade por bicicleta e cicloativismo, acontece entre 26 e 29 de maio de 2016 em São Paulo. Organizado pela sociedade civil, busca ser o expoente máximo da bicicleta em todas as suas vertentes: cultural, social, política, artística, econômica e ambiental.

O evento abre espaço para o convívio, o compartilhamento de conhecimento e a formação de alianças entre ciclistas, cicloativistas, entusiastas e interessados na democratização urbana, na sustentabilidade ambiental e na qualidade de vida que a bicicleta proporciona.

E como eu tenho amigas arretadas e maravilhosas, três atividades das Ciclanas, coletivo ciclofeminista fundado em Fortaleza, foram aprovadas para esse evento por meio de edital nacional.

Em dois painéis, serão abordados assuntos como o nascimento e desenvolvimento do coletivo e a cicloviagem realizada para o assentamento Barra do Leme em Pentecostes, interior do Ceará. Já na oficina sobre as experiências de um movimento social com comunicação em redes sociais, as Ciclanas, além de contar as experiências do coletivo, vão propor um momento de consultoria para aqueles e aquelas que participarem.

Foda, né? Que orgulho saber que nosso coletivo vai compartilhar suas experiências na capital que tem o cicloativismo mais forte do país (pelo menos eu acho que tem)! Só que agora as gatas precisam de ajuda para voar até Sampa. Embora o evento forneça a passagem de avião e a hospedagem solidária para as meninas já esteja garantida, elas precisam do auxílio da comunidade para o deslocamento e alimentação durante essa viagem.

Para arrecadar esses recursos, nós Ciclanas estamos com uma campanha aberta no Catarse e já arrecadamos metade da grana. Mas faltam só cinco dias para o fim do prazo e se a meta não for atingida estabeleceremos uma nova meta, o Catarse devolve todo o dinheiro doado até o momento.


ATUALIZANDO: Gente, a informação que eu tinha colocado estava errada. A campanha das meninas é do tipo “flex”, que quer dizer que elas receberão o dinheiro arrecadado ainda que não batam a meta. #PeçoPerdãoPeloVacilo


Por isso, façam de conta que eu nunca pedi nada a vocês e ajudem! É possível realizar doações a partir de R$10. A partir dos R$20 rolam recompensas fofas, que vão de adesivos do coletivo e até camisetas. Mas o mais importante mesmo é ajudar a disseminar as experiências que estamos vivendo aqui em Fortaleza e empoderar as gata desse Brasil-zil-zil!

Vai lá!

Campanha das Ciclanas no Catarse: catarse.me/ciclanas

Ciclanas no Facebook: facebook.com/ciclanas

Ciclanas no Instagram: instagram.com/ciclanas/

Site do Bicicultura: bicicultura.org.br

Um abraço e vamos pedalar!

(e coçar esses bolso)

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Franklin Almeida: arte, cidade, bicicleta e mar!

Estou cada vez mais aproximada do mundo das artes plásticas e cada vez mais interessada em conhecer artistas. Por isso, tenho seguido vários no Instagram e recheado meus murais do Pinterest. E um dos artistas que eu queria conhecer há vários meses era o Franklin Almeida, que me viu numa matéria de TV e fez uma charge (que eu esqueci de pedir pra ver) e uma escultura de arame inspiradas em mim e no meu blog. Depois de muitos desencontros finalmente consegui ir até ele e pude ver suas obras de perto.

Tem que ter uma selfie com o artista, né?

Tem que ter uma selfie com o artista, né?

O Franklin trabalha com materiais reaproveitados como restos de demolição e peças de computador que já não funcionam mais. Essas coisas que iriam para o lixo, nas mãos deles viram esculturas lindas, porta chaves, quadros e automatas incríveis. Automatas são esculturas/brinquedos que realizam movimentos sem o uso de energia elétrica. Além do senso de estética do artista, a criatividade para bolar os movimentos me impressionaram muito! Eu gostei muito do estilo popular das obras, sabe? Me lembraram aqueles brinquedos antigos de madeira, que tanto despertavam a imaginação das crianças.

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O peixe funciona como um pêndulo e dá movimento ao barco, que está apoiado unicamente naquele parafuso na base de madeira. Física e arte!

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Outra habilidade do Franklin é com o papel. Ele faz cartões em 3D maravilhosos que representam veículos e lugares turísticos de Fortaleza. E tudo com uma delicadeza que chega a emocionar.

Alguém reconhece esse lugar?

Alguém reconhece esse lugar?

E como falei no início, ele também trabalha com arame. Olha que coisa mais maravilhosa ele fez quando soube do meu blog! Gente, eu não mereço isso. É privilégio demais, meu povo!

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Peça inspirada na logo do De Bike na Cidade S2

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Aaaai, que coisa fofaaaa!

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Todo mundo já viu esta senhora em algum lugar da cidade, ou não?

Entre as principais inspirações do Franklin, o mar e as bicicletas se destacam. Além de ser ciclista, ele também surfa e por isso, costuma retratar a prática do esporte e as magrelas em suas obras. Durante minha visita, ele falou um pouco de suas técnicas e também dos desafios que enfrenta como artista. Foi um papo muito gostoso e cheio de inspiração!

Para conhecer mais do trabalho do Franklin Almeida, sigam-no no Instagram. Sério, vocês vão adorar!

Um abraço e vamos pedalar!

Exposições de arte em Fortaleza

Olá! Quem me segue no Instagram deve ter reparado que ultimamente a maior parte das minhas fotos são de aquarelas e ilustrações que tenho feito em casa. Tenho me dedicado mais a essas atividades e por causa disso, ficado bastante tempo em casa. Só que às vezes bate saudade da rua, né? Então resolvi sair para resolver umas burocracias e depois pedalar pela cidade em busca de inspiração para o blog e para fotografar alguns “Vi de Bike“.

Assim fui parar no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, um dos lugares mais amados desta Fortaleza escaldante, para ver a exposição Reflexos da Alma, da Dora Moreira, estilista de bicicletas e artista. Por coincidência, nos encontramos logo na entrada do Dragão, mesmo sem marcar, e seguimos juntas para o local onde suas peças estavam expostas.

A Dora utiliza em suas criações artísticas materiais reaproveitados e naturais, como o cipó e o barro, restos de demolição e peças de bicicleta. Entre as peças que eu mais queria ver estava a “Bicicleta Romeira”, uma homenagem maravilhosa aos romeiros cearenses que percorrem as estradas todos os anos até Canindé. Fiquei emocionada, porque eu tenho um negócio muito forte com minhas raízes e acho a terra algo arrebatador, sabe?

A Bicicleta Romeira

A Bicicleta Romeira

A força do barro do Cariri

A força do barro do Cariri

Maravilhosa nos detalhes

Maravilhosa nos detalhes

Olha que coisa maravilhosa!

Olha que coisa maravilhosa!

Dora e suas criações

Dora e suas criações

Após a visita, segui para a Caixa Cultural, que fica ao lado do Dragão do Mar. O prédio é lindo mas seria ainda mais bonito se tivesse um bicicletário, né, dona Caixa? Espaço é o que não falta. Fui lá para ver a exposição Rastro, do artista Weaver e mais uma vez a emoção tomou conta: Ele viajou pelo interior e fez grafites maravilhosos pelo caminho. Ou seja: juntou duas belezas contrastantes que é a da grande cidade e a do campo. Na exposição, reproduções dos grafites que foram aplicados, fotos da execução das artes e dos resultados, e os estêncils utilizados durante os trabalhos.

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Cabeças nas nuvens… reparem nessa formas geométricas dos vestidos, como são legais

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Como você interpreta essas peças?

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O corpo preso, a cabeça livre

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Os stêncils… Adoro ver materiais e estúdios de artistas

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Olha que coisa maravilhosa essa imagem: uma menina que fez amizade com o Weaver desenhou toda a turma. Integração do artista com a comunidade

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Aí você pega a estrada e se depara com uma imagem dessas. Já pensou?

Depois de passar a tarde mergulhada nesses ambientes criativos e inspiradores, voltei pra casa pedalando à noite pelo Centro. As ruas tranquilas, frias, o silêncio, o som da Shamira e de suas engrenagens e eu lá, pensando na vida, em arte, na minha cidade… Tem como se sentir mais livre que isso? 🙂

A exposição Rastro infelizmente já foi encerrada, mas a da Dora continua até amanhã. Visitem! É gratuito e vale muito a pena!

Um abraço e vamos pedalar!

Bike vs Cars e Mesa redonda com mulheres ciclistas

Gente, muita emoção na última semana. Sério, haja coração bicicleteiro e feminista para tanta provocação e alegria. Como já contei aqui, a Aline Cavalcante veio a Fortaleza para participar de eventos do Mês da Mobilidade, inclusive alguns que foram organizados pelas Ciclanas. Eu consegui ir a dois deles e ai minha nossa senhora da buzininha trim-trim! Se só a presença da guerreira já era motivo para eu me passar de emoção, junte a isso um filme incrível e mais uma ruma de mulher ciclista arrebatadora! Meu povo, tô anestesiada até agora!

Na quinta-feira o documentário Bike vs Carros foi exibido gratuitamente no cinema do Dragão do Mar e após o filme, a Aline bateu um papo com a plateia. E foi uma lindeza ver aquele Dragão lotado de bicicleta, uma sala entupida de gente interessada em conhecer o filme e debater sobre mobilidade urbana. E o filme? Incrível, envolvente, com uma pesquisa muito bem feita! Se vocês tiverem a chance de assistir, não percam porque é mesmo muito bom! Trata-se de um documentário sueco que fala sobre a situação do trânsito e do uso da bicicleta em várias cidades pelo mundo. Aqui no Brasil, o filme mostra São Paulo e a personagem entrevistada é a Aline, que de forma super simpática, tirou dúvidas da plateia e falou do contexto de São Paulo durante o evento.

Na sexta, foi a vez da mesa redonda organizada pelas Ciclanas e da qual eu fui a mediadora. E meu povo… Sério… Foi fraco não, viu? Dillyane Ribeiro, Ivânia de Alencar e Aline Cavalcante se se juntassem formavam um Megazord. A cada fala delas a plateia se entorpecia, era provocada. E eu preciso destacar a apresentação da Ivânia que é simplesmente uma delícia. Muitas mulheres se emocionaram na plateia com a mistura arrebatadora de doçura e força dessa sertaneja bruxa. Para terem noção, ela recebeu dois pedidos de casamento de mulheres e foi tietada loucamente após a mesa. rsrsrsrs Todo mundo queria abraçá-la e tirar foto. E o humor da doutora adevogada Dillyane? Era contagiante!

E eu mal conseguia acreditar que um dia tive tanto medo de começar a pedalar e durante as pesquisas que fazia lia incansavelmente o Pedalinas, do qual Aline fazia parte. Ela tem uma responsabilidade muito grande para que hoje eu seja uma ciclista e tenha meu próprio blog sobre o assunto. E agora, lá estava eu: mediando um debate com a própria! E fazendo parte de um grupo de mulheres ciclistas da minha cidade que já ultrapassa mil componentes e que eu também ajudei a juntar! Alguém me belisca, por favor?

Gente, vou guardar essa foto pro resto da vida!Gente, vou guardar essa foto pro resto da vida!

Paulo Aguiar, do Pedala Manaus; Ênio Paipa, Bike ANjo de Recife e Arthur Costa, presidente da Ciclovida (Fortaleza) toparam uma fotinha comigo

Paulo Aguiar, do Pedala Manaus; Ênio Paipa, Bike ANjo de Recife e Arthur Costa, presidente da Ciclovida (Fortaleza) toparam uma fotinha comigo

E o babado todo já está disponível no You Tube, então quem não é daqui ou não pôde comparecer, pode ter acesso às discussões e fomentar um debate pelos comentários. Será que em algum momento deu pra ver que eu tava quase chorando? rsrsrsrs

Eu até tento, mas é difícil explicar para vocês como estou me sentindo. Tudo muito intenso, muito vibrante. A única forma de vocês entenderem mesmo é fazendo parte dessa mudança que está acontecendo. Então, aproveitem esse contexto que, embora ainda tenha muito a melhorar, é muito mais favorável que há alguns anos. Sério. Faz muita diferença conhecer mulheres que pedalam, de carne e osso, acessar debates, ter acesso a informação… Então, tirem a coragem da gaveta e botem a bike na rua. O que não vai faltar é apoio, pelo menos aqui neste blog. 😉 E meninas, procurem as mulheres que pedalam na cidade de vocês e se ajudem! Isso é muito importante!

E lembrem-se de levar muito amor e luz no cestinho. S2

 

E o Mês da Mobilidade continua e a programação tá muito incrível! Programe-se para não perder nada!

 

Um abraço e vamos pedalar!

 

 

 

De bike (quase) fora da cidade – Pedal para Sabiaguaba

Este ano uma das coisas que mais senti vontade de fazer, mas não consegui, foi viajar. E mais que isso: encasquetei que queria acampar e pegar a estrada de bicicleta. Hahaha Isso mesmo: Depois de demorar bastante para ter coragem de pedalar dentro da minha própria cidade, agora começo a alimentar a vontade de fazer isso rumo a novos horizontes. E mesmo que não tenha conseguido realizar tal façanha este ano, acredito que em 2015 algo nesse sentido há de se concretizar. #mentalizaqueacontece

Aí que tive a oportunidade de participar de um passeio em grupo para a região da Sabiaguaba, que é uma praia aqui de Fortaleza um pouco deserta, e que também fica pertinho do encontro do rio com o mar, numa região de mangue. Já é no caminho da saída da cidade, como quem vai para Aquiraz.

O percurso total do passeio, pra mim (as pessoas saíram de lugares diferentes) foi de cerca de 54 km, num ritmo tranquilo, já que a intenção não era velocidade. Só tive dificuldade para acordar tão cedo depois de uma noite de insônia. Marquei com Karinne (sim, ela está de volta!) na casa dela às 5h da manhã, mas acabei atrasando).

Na ida, foi uma delícia pedalar de um jeito tranquilo, em ritmo de passeio e aproveitando o clima ameno. O ponto de encontro foi o Supermercado Pão de Açúcar da avenida Washington Soares, onde tomamos café da manhã (eu pela segunda vez) e compramos lanchinhos para o decorrer do dia. Depois, pegamos a ciclovia da avenida Washinton Soares, onde eu tive que suar muito para ultrapassar o grupo e conseguir tirar algumas fotos. rsrsrs

Fotos da ida

Fiquei muito animada com o passeio, que além de me dar a chance de ter uma amostrinha de uma possível viagem, me deu a oportunidade de conversar com vários ciclistas aqui da cidade com quem costumo interagir pela Internet, mas que vejo pouco ou não conhecia pessoalmente. A gente trocou muita ideia sobre trajetos e comportamento do ciclista no trânsito, dicas e vejam só: muita gente tem vontade de viajar de bike e alguns já até fizeram isso. Inclusive um ciclista deu uma passadinha por lá super rápido, e soube que ele já pedalou até a Argentina! Sério, foi um passeio inspirador.

Outro motivo para a animação é que o passeio não foi bate e volta. A gente passou o dia no lugar, conversando, rindo muito, tomando banho de rio e curtindo a natureza. Teve até passeio de caiaque, mas dessa vez não pude participar. Ainda assim, foi bom demais para renovar as energias! Aproveitei também para pegar um solzinho e tentar perder o efeito “sorvete napolitano” das pernas, braços e colo, que mesmo com filtro solar acabam ficando mais escuros que o restante do corpo por causa da exposição ao sol. Lá eu achei que o contraste não estava sumindo, mas em casa percebi que a pele ganhou uma uniformizada boa.

Chegamos!

Na volta, o grupo se dividiu e o meu resolveu dar uma paradinha antes do polêmico viaduto e pelo túnel da Engenheiro Santana Junior, (obras que foram inauguradas há pouco tempo e que são simplesmente assustadoras para ciclistas e pedestres. Cheguei a paralisar de medo e de nervoso). Então, para reabastecer as energias, e preparar o corassaum, pausa para um suco em frente ao Shopping Iguatemi, na Tropisucos. Lá saboreei um suquinho de laranja com gengibre (que tinha pouco gengibre, mas estava gostoso) e aproveitei para conversar mais com sobre as experiências de cada um no pedal e claro, conhecer melhor as pessoas. Interessante que cada um tem suas técnicas e modos de se comportar nas ruas e é bacana trocar experiências e aprender. Eu, por exemplo, percebi que preciso percorrer mais a faixa da direita ao invés do canteiro central, além de ocupar um espaço maior na via.

Suquinho na volta

Foi um dia inesquecível, com muita natureza, pedalada e novos amigos! Vai bem dizer que você também não ficou com vontade? Pois “avía”, que é subida! 2015 está aí pra isso 😉

Um abraço e vamos pedalar!

 

Vi de bike – Marina Felipe

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Mais um encontrinho de bike. Desta vez o acaso me apresentou à estudante de filosofia da UFC Marina Felipe, de 21 anos. Ela pedala há mais ou menos o mesmo tempo que eu, cerca de um ano, e utiliza a bicicleta para ir de casa para a faculdade e de vez em quando a passeios na Beira Mar, totalizando uma média de cinco quilômetros por dia de pedalada.

A escolha pela bicicleta foi feita para proporcionar um pouco de exercício físico à estudante, que é uma sedentária assumida, e também por causa da praticidade na locomoção. “Juro que não consigo pegar ônibus! Demoram demais, são muito lotados! De bicicleta é bem mais rápido e confortável”, conta ela.

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Embora estivesse usando calça e camiseta quando nos encontramos, Marina diz que gosta mesmo é de vestidos e saias leves, sempre com shorts por baixo. A escolha pela calça é feita geralmente em dias de sol forte, para ajudar a proteger a pele. E ela gosta de simplicidade: sempre pedala de roupas casuais e gosta de usar chinelo.

Sobre pedalar pela cidade, ela observa que uma mulher de bicicleta causa estranhamento. Ela disse que as pessoas costumam olhar quando ela passa e algumas até chegam a tirar onda, mas isso não a intimida. Aliás, ela já até foi assaltada numa rua perto de casa quando voltava da faculdade e nem isso a impede de pedalar. “Levaram só o meu celular, mas é porque eu ando de bicicleta de um jeito muito avoado, relaxando e pensando na vida. Rsrsrs Agora estou tomando mais cuidado e optando por avenidas mais movimentadas quando está tarde. O problema são os motoristas que tiram fina da gente e não estão nem aí. É horrível”.

Agora a moça se prepara para ganhar a estrada. Ela e um grupo de mais ou menos 20 pessoas se preparam para pedalar até Jericoacoara, paraíso que fica a 295 quilômetros da Capital, no final do ano. Eu achei incrível, pois mesmo não sendo uma ciclista olímpica, simpatizo muito com a ideia de conhecer outros lugares de bicicleta e ir acampando no caminho. Quem sabe não rola a coragem um dia?

Mas mesmo pedalando só em Fortaleza a gente tem bagagem e é preciso carregá-la na bike. Gostei muito da ideia dela de colocar um cestinho de supermercado na garupa para guardar as coisas. Com certeza deixa tudo bem mais prático. Para proteger a bolsa, ela passa a alça por baixo do selim para evitar que puxem. O que vocês acharam?

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Um abraço e vamos pedalar!

Não foi acidente – Karinne Góis

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Karinne no Fórum Natureza e Sociedade, na UFC. Esta foto estava guardada para um post “Vi de Bike”

 

Ontem demorei para dormir. Antes de ir para a cama, dei uma última olhada no Facebook e me deparei com o relato da querida Karinne Góis, uma ciclista urbana que começou a pedalar por Fortaleza há mais ou menos um ano, assim como eu. Aliás, mesmo não sendo tão próximas, o que sinto pela Karinne é uma enorme empatia e carinho: ela é uma mulher que assim, como eu, resolveu nadar contra a corrente: Ela estava no primeiro Escola Bike Anjo que fui, a fim de conhecer os ciclistas, pegar informações e experimentar bicicletas, e assim como eu, ela foi com os mesmos objetivos. Quando fui com o marido a uma loja em Fortaleza já decididos a comprar uma bike que tinha por lá, já que a que eu queria mesmo não estava no estoque, Karinne estava com o namorado montando a bike que eles tinham comprado pela Internet e recomendou que eu a experimentasse antes de tomar a decisão. Fiz isso e acabei escolhendo a Shamira.

Vivenciamos no mesmo período as sensações de começar a pedalar: os medos e prazeres, as dúvidas sobre trajetos, peças, roupas, comemoramos distâncias cada vez maiores que foram vencidas e principalmente, compartilhamos do vício pela bicicleta. “Você vai ver, todo dia você vai arrumar uma desculpa para sair para pedalar. Quando eu não vou fico agoniadinha em casa”, ela me disse naquele dia no shopping, há mais de um ano.

Ontem Karinne foi atropelada.

Print do relato completo (clique para ampliar)

Print do relato completo (clique para ampliar)

Segundo o relato no Facebook, que acompanha foto da topic que a derrubou, eram cerca de 20h e ela estava na rua Metón de Alencar, no Centro. É uma via secundária, que ela percorre justamente para evitar as avenidas com tráfego mais intenso. O motorista de uma topic veio em alta velocidade, buzinou, jogou luz alta e em seguida acelerou, batendo em seu guidão. Karinne caiu e o motorista fugiu sem prestar socorro. Por sorte, ela não estava sozinha, e um dos ciclistas que a acompanhava foi atrás da van e a fotografou, tendo o motorista, mais uma vez, acelerado em fuga.

Karinne não corre perigo, embora leve feridas no corpo e na alma. Ontem à noite mesmo ela já foi para a delegacia fazer os devidos encaminhamentos (e soube depois que poderia ter chamado a polícia na mesma hora, para que a viatura perseguisse a van e fizesse a prisão em flagrante). Ela tem testemunhas, muito apoio e vai levar o caso pra frente, com toda a razão. mais que isso: ela quer aproveitar a “oportunidade” para puxar ações que cobrem das autoridades mais educação no trânsito, tanto para os motoristas profissionais quanto para os condutores de veículos particulares. Ou seja, uma conduta humana e em prol do coletivo, muito além de qualquer tipo de revanchismo ou caça às bruxas, como muitos podem julgar.

Infelizmente os “acidentes” com ciclistas são constantes, mas eu não pretendia abordar essa questão de forma aprofundada, até porque muitos veículos de comunicação, blogs e movimentos já fazem isso de forma muito competente. A minha proposta aqui é mais lúdica, com mais intenção de divulgar outros lados da experiência sobre os pedais e acho que o que faço também tem seu valor.

Mas ontem eu chorei muito pela Karinne. Fiquei de coração apertado imaginando que poderia ter sido pior, e claro, que poderia ter sido eu. Não foi a mesma reação que tive ao saber de outros casos, mas acredito que por conhecer a pessoa e se identificar tanto com ela, a intensidade foi maior. Na semana passada mesmo, o Leonardo Ribeiro, outro ciclista que também começou a pedalar há um ano, foi atropelado, e vejam só: numa ciclofaixa! Uma leitora, a melhor amiga dele, por sinal, até me sugeriu a pauta. Como dito anteriormente, disse a ela que não sabia ainda se abordaria essas notícias aqui no blog, e nem como faria isso. É algo que ainda preciso amadurecer com muito cuidado.

Mas eu precisava escrever sobre o que aconteceu com a Karinne. Pois o medo que senti, a tristeza, só foi semelhante àquela que vivenciei em 2011, quando li entre lágrimas um post sobre a morte da Julie Dias, na Avenida Paulista. Na época eu estava pesquisando sobre o mundo das bicicletas, e embora tenha ficado arrasada, a notícia não me fez querer desistir. Porque os ciclistas precisam estar na rua, a demanda precisa existir, para que mudanças aconteçam e a violência no trânsito diminua. Na época, aquilo me mostrou o que eu enfrentaria e eu soube o que estava disposta a enfrentar. Não, eu não quero morrer “pela causa”, se é isso que vocês estão pensando, nem quero que ninguém mais morra ou se machuque. Mortes não tem que ser pré-requisitos para que algo seja feito.

Mas ontem, além da tristeza eu senti muito medo. E é provável que hoje eu não pedale por isso. 😦

Mas amanhã eu volto. E espero que, em breve, Karinne volte também.

 

Um abraço e (apesar de tudo) vamos pedalar!

 

O nome da cooperativa da qual a van que atropelou Karinne faz parte é Cootraps e eu fiz questão de ligar hoje para lá e registrar minha indignação. Falei com o setor de tráfego e me foi passado que há câmeras nas vans, que eles verificarão as imagens  e me darão retorno. Acho que vocês também deveriam entrar em contato com eles e deixar registrado o que pensam sobre esse caso.

Cootraps
Cootraps – Cooperativa dos Transportadores Autônomos de Passageiros do Estado do Ceará. Operamos o Sistema de Transporte Complementar de Fortaleza.
Telefone: (85) 3253.1384
Email: cootraps@cootraps.com.br
Fanpage: www.facebook.com/cootrapsfortaleza