Em crise com a capa

Sheryda Lopes Capa de chuva pedalar poncho bicicleta Blog De Bike na Cidade Resenha (3)

Gentem, e aí? Como foi o fim de semana? Hoje estou aqui para chorar com vocês e desabafar a respeito de uma relação na qual eu depositei muitas expectativas (tem algo mais canceriano que isso?), mas que está me decepcionando: a que eu tenho com minha capa de chuva para pedalar.

Como contei num post do ano passado, comprei uma capa de chuva no Ebay de um vendedor alemão e esperei por meses. Demorou tanto que já tinha passado até a estação chuvosa e eu achei que só iria experimentá-la em 2016. Porém, para nossa alegria, ainda houve oportunidades de me fantasiar de minion azul do League of Legends e viver a sensação de pedalar na chuva à moda europeia (se é que os europeus realmente usam essa capa).

E nos primeiros usos eu até que fiquei feliz! Consegui proteger a mim e à minha bagagem da chuva sem passar calor por causa do plástico. Mas com no começo deste ano a experiência tem sido muito ruim.

Primeira reclamação: a capa não encaixa. A ideia do modelo é que ele cubra a parte da frente da bicicleta e a de trás também, formando um poncho. Mas ela fica desabotoando a cada vez que subo ou desço do selim. É como se eu precisasse que alguém me vestisse a cada vez que monto na bicicleta, ou seja, inviável.

Capa cobrindo a mesa

Teoricamente era para ficar assim

Segunda reclamação: o vento tira a capa do lugar deixando a mim e à minha bagagem descobertas. Isso acontece principalmente quando passa um carro ao meu lado muito rápido. Juntando ao primeiro motivo, acaba que eu preciso parar constantemente para me ajeitar, o que se torna muito cansativo e estressante.

Terceira reclamação: Essa parte da capa que cobre o guidão está começando a acumular água, fazendo um peso chato que só, aí eu preciso dar uma empurradinha pra cima pra derramar. Juro que isso não acontecia antes.

Mas a peça ainda tem suas vantagens: Como cobre minhas mãos, não fica aquela melequeira toda, escorregando e tals. A fita refletora dela também é bacana pois funciona muito bem e com ela me sinto mais segura.

Também tenho usado a capa para cobrir a bike estacionada, porque meus gatinhos fizeram o favor de rasgar o plástico que cobre o selim, deixando a esponja exposta. Se cair água em cima eu vou ter que pedalar muito com o bumbum molhado e isso não é legal. Mas, francamente, essa capa foi cara e demorou para chegar, então se for só por essas funções, acho que não vale a pena. Ou então eu preciso aprender a usá-la direito.

Ah! E mais dois agravantes: a cega aqui fica com as lentes dos óculos totalmente embaçadas enquanto pedala (já recebi dica de usar produtinho de Go Pro na lente, mas não fui atrás ainda).

E para finalizar, fico com a rinite super atacada por conta da umidade. Francamente, tenho pensado que pedalar na chuva não é pra mim, aí acabo pegando ônibus. Paciência.

E vocês? Como estão pedalando com essas chuvas? Por acaso alguém usa um capa parecida com a minha e está se saindo melhor que eu? Contem aí nos comentários.

Um abraço e vamos pedalar!

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Chuva: 1 x 0: Sheryda

Na semana passada caiu muita água em Fortaleza e em outras cidades cearenses. Isso depois de um logo período de seca e de dias quentes como o inferno. E a minha timeline se encheu de fotos e dizeres de comemoração de amigos que celebravam o alívio de ver água cair do céu. Eu mesma tirei fotos das gotinhas embaçando os vidros da janela de ônibus. Tão lindo!

Chuva noturna embaçando as luzes do trânsito

Chuva noturna embaçando as luzes do trânsito

E os amigos ciclistas? Um monte meteu as caras e a bike na rua debaixo de chuva mesmo. Os mais destemidos apenas com a coragem e uma muda de roupa na bolsa. Outros com capas de chuva e até galochas fofíssimas, super desejadas por esta blogueira. Todos com um ponto em comum: falavam que andar de bike na chuva era possível sim, e que, por causa das bicicletas, nada de atrasos no trabalho e nem engarrafamentos. Fora os sentimentos maravilhosos de liberdade e das lembranças valiosas dos banhos de chuva na infância.

Então. Eu também fui dessas que foi com a Shamira para o aguaceiro. Não sem pensar duas vezes, confesso. Porque eu não tenho muita saudade dos banhos de chuva da infância, sabe? Quer dizer, tenho carinho pelas lembranças, mas gosto que elas se mantenham lembranças e pronto. Como a minha rinite me deixa vulnerável a mudanças repentinas de temperatura e a umidade, gosto de dias chuvosos em que eu fique dentro da minha casa com um bom livro para ler, uma série legal para assistir e uma xícara cheia de uma bebida bem quente. Ah, e milhares de cobertores. hehehe Tenho agonia da lama respingando nos pés e muito medo de adoecer por causa da chuva. Desculpem, amigos destemidos. Sou dessas.

Só que eu tinha algumas oficinas de desenho para fazer e, como vocês sabem, comprei uma capa no Ebay no ano passado que é específica para pedalar. Então não fazia sentido me enfiar num ônibus abafado, pagar caro pela passagem, aguentar demora de ônibus e engarrafamento pelas ruas alagadas se eu tinha investido num negócio caro (em comparação a capas convencionais) e que demorou para chegar só por nojinho de lama. Quer dizer… eu também sinto um pouco de insegurança de pedalar na chuva, mas já fiz isso antes e preciso me aperfeiçoar. Decidi então sair da zona de conforto e encarar a tempestade, pois estava animadíssima com essas oficinas e a chuva não me faria perdê-las.

Minha saga

Não rolou foto do look de bike porque marido ainda tava dormindinho e coitado, né? Já pensou, o póbi se enfiar na chuva dormindo? rsrsrs E eu também não tava muito arrumada, nem valia a pena ^^ Mas vou descrever minha roupa pra vocês: Como eram eventos informais, não precisava me arrumar muito. Então escolhi um short, uma regatinha branca bem leve com uma estampa divertida e pronto. Nos pés, chinela havaiana e nada de sapato ou sandália mais arrumadinha de reserva. E nenhuma maquiagem na cara. Apesar de não ter me maquiado por pura falta de vontade, a verdade é que isso foi algo a menos para me preocupar. Coloquei meus materiais de desenho dentro de uma mochila jeans (depois descobri que isso havia sido um erro) e meu caderno de desenho novo (o mais caro da minha vida) dentro de um saco plástico. A capa de chuva cobre a parte de trás e da frente da bike, então estava segura de que as coisas estavam protegidas.

En-tão. Pra começar, a capa de chuva não funcionou tão bem quanto da última vez. O capuz ficava saindo do lugar e atrapalhava a minha visibilidade. A parte de trás, que estava cobrindo a garupa, voava a cada vez que um carro passava, descobrindo a mochila e fazendo com que a capa se mexesse ainda mais. Então eu tinha que parar diversas vezes para me ajeitar e tomando muito cuidado para não cair embaixo de nenhum carro.

Ah, e os óculos? Meu Deus, os óculos. Os desgraçados embaçavam sem parar e ficavam cheio de gotinhas que me deixava completamente cega. Não dava nem para tirar um lenço de papel da bolsa, afinal, com a chuva, ele ficaria ensopado. Então eu tinha que parar, também, para tentar passar os óculos na regata, por baixo da capa. Apesar de ficarem manchados, pelo menos isso diminuía o tanto de gotinhas.

Numa das minhas paradas para tentar me recompor, se aproxima um gari que estava trabalhando na ciclovia. Ele usava capa de chuva e era muito sorridente. Olhou para a garupa da minha bike que eu desajeitadamente tentava cobrir e perguntou:

– Tem um bebê recém nascido aí?

E eu, meio estupefata com  a pergunta e imaginando um neném novinho naquelas condições, disse:

– Deus me livre!!

Aí o homem soltou:

– Deus me livre por que? Não diga isso! Olha, não tem nada no mundo que deixe uma mulher mais feliz e completa que gerar uma criança. É uma felicidade enorme.

Pois é. Lá estava eu na chuva, toda atrapalhada, desconfortável e ainda me aparece um estranho passando na minha cara a obrigação da maternidade. Eu lá, beirando os 30, tentando pedalar na chuva com o orgulho todo ferido, e agora descobria que era um ser incompleto. Ah, útero inútil. E o pior é que o homem tinha um simplicidade, um sorriso tão amoroso, que nem pra ficar com raiva dele eu servi. Me despedi do anjo da maternidade indispensável e segui caminho

Metros adiante, o que acontece? Escuto um “ploft” seguido de um “tssssss” e a bike super pesada. Depois, sensação de pancadas na parte traseira.

A câmara furou.

Sim. A porra da câmara furou.

E a não-mãe aqui também é uma não-sei-trocar-a-câmara e uma tremenda de uma não-trouxe-câmara-reserva-e-nem-ferramentas.

Para não dizer que não falei da sorte, sejamos justos. Não estava chovendo tanto assim. É como se o tempo soubesse o que eu pretendia fazer e tivesse decidido colocar o jogo no level médio. Então eu respirei fundo e comecei a pedalar devagarinho até uma borracharia que ficava a uns dois quarteirões. O certo era ir empurrando a bike, mas eu estava muito agoniada e quase atrasada para as aulas de desenho.

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Selfie na borracharia. Olhos inchados de sono e nenhuma make

Chegando na borracharia, o moço pegou a bike, virou de cabeça pra baixo e aí vi o selim com um pedaço da capa faltando em contato direto com o chão molhado e sujo. Imaginei na hora a esponja encharcada e eu com a bunda em cima, mas, ok. Então ele tentou tirar o pneu de trás e estava preso. Lembrei das lições da Aspásia Mariana:

-Você precisa abrir esta parte para sair (as coisinhas que servem para mudar a marcha).

Ele ficou meio constrangido e fez o que eu disse, aí o pneu saiu. Então tirou a câmara, olhou, passou uma lixa elétrica num furo, aplicou cola e adesivo, prendeu a câmara numa prensa e deixou secando.

-O que causou o furo? Algum prego ou vidro?

-Não, foi uma falha na câmara de ar.

-Ah. tá… Vai demorar muito? Estou atrasada para uma aula.

-Não, é rápido. Você tá indo para onde?

-À UFC (em frente à borracharia). Tenho uma aula começando agora.

-É rapidinho.

Poucos minutos depois, ele tira a câmara da prensa, monta o pneu e coloca na bicicleta. Ao desvirá-la, decepção: Pneu baixou de novo.

-Olha, é melhor você ir e voltar aqui depois da sua aula. Vou ter que refazer.

-Tá bom.

Então, fui a pé para as aulas de desenho e cheguei à sala com mais de meia hora de atraso. Mas adivinhem? Os oficineiros não conseguiram sair de casa por causa da chuva e a atividade foi adiada! hahahaha Gente, só rindo mesmo.

Aproveitei o tempo livre para olhar outras atrações no bloco de arte e cultura da UFC, como apresentações musicais e uma exposição de quadrinhos. Lá, inaugurei meu carvão vegetal, comprado especialmente para uma das oficinas das quais participaria.

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Meu primeiro desenho em carvão vegetal. Quem adivinha qual foi a inspiração?

Depois, voltei à borracharia para pegar a Shamira e algo que eu já esperava aconteceu: O homem cobrou bem mais que o normal pelo serviço. Provavelmente porque ele achou que, por ser mulher, eu não ia me tocar. But, not. Falei para ele que o preço que ele pedia era quase o valor de uma câmara nova e que eu já havia remendado antes e sabia que o que ele estava cobrando não era justo. Então ele soltou um queixo esfarrapado, de que o remendo tinha sido feito numa máquina e que por isso era mais caro. Gente, lixa elétrica e prensa mecânica são coisas que têm em praticamente toda borracharia e não influenciam tanto no resultado ao ponto de ser justo cobrar mais por isso. E fora que ele fez aquela cara, sabe? Tipo de “vixi, nem colou”? Então ele baixou um pouquinho o valor cobrado e levei Shamira de volta pra casa. O bom é que ele deixou fiado, já que eu não tinha dinheiro naquela hora e teria que voltar à tarde, quando estivesse passando para outra oficina. Tive muita sorte com isso, afinal, eu tinha botado boneco com o preço, né? rsrsrs

Bom, como o post já está longo demais, vou resumir: Não choveu mais tanto assim e eu não precisei pedalar na chuva de novo durante dois dias. Quando cheguei em casa, vi que meu material de desenho não ficou molhado, mas a mochila jeans ficou úmida e fedida (acho que alguma gata vomitou ou fez xixi nela e eu não havia percebido). Outro detalhe: apesar de ter me atrapalhado muito e com a capa saindo do lugar, a verdade é que minha roupa praticamente não ficou muito molhada. A blusa, por exemplo, estava completamente seca. Tanto que eu usei a peça de novo à tarde e no dia seguinte. Mas como o capuz ficou saindo do lugar, o meu cabelo ficou bastante molhado e isso incomodou bastante.

Desconfio até da razão de o capuz ter saído tanto do lugar, pois isso não aconteceu da outra vez em que usei a capa. Acontece que desta vez não usei capacete. O capuz tem tamanho suficiente para cobrir o equipamento (não obrigatório) de segurança e fica mais firme. Pelo menos essa é a minha impressão.

Outro detalhe: escolhi mal a mochila. Qualquer gotinha que caísse nela ia deixar o tecido úmido e algum dos meus cadernos poderia ser danificado. Para as outras oficinas usei a mesma mochila da viagem para Recife, que apesar de ser enorme, é feita de couro sintético não permeável. Para reforçar a segurança, poderia também ter guardado a própria mochila dentro de um saco plástico.

E sobre as partes da capa que voavam por causa do vento dos carros, estou pensando em alguma gambiarra que a mantenha presa no lugar sem que me atrapalhe para sair da bicicleta e também de olhar para os lados.

Abaixo, fotos da minha cara de quando cheguei em casa após a chuva, capa atrapalhada e a não-oficina. rsrsrsrs

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Cansada e de cabelo super molhado

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Por mais incrível que pareça, a roupa quase não molhou. Reparem nos óculos embaçados

E vocês? Tem pedalado nesse tempo? Como fazem? Onde vivem? Do que se alimentam? Contem pra mim e vamos juntos ficar experts no pedal. Ainda vou conseguir fazer isso com dignidade! Chova ou faça sol! ^^

Um abraço e vamos pedalar!

Bônus

Quem me segue no Instagram já viu, mas deixo com vocês as fotos de algumas aquarelas que pintei. Fruto do que aprendi na oficina de aquarela da Juliana Rabelo na UFC. E também alguns rabiscos de um exercício de estímulo à criatividade e da roda de debate sobre o feminino na ilustração, com três artistas incríveis daqui. As atividades foram realizadas pelo pessoal da Bolsa Arte e Moda da UFC.

Conto – A carona

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Imagem: We Heart It

Tinha sido um dia pesado no trabalho. A tensão dos últimos tempos cada vez mais sobrecarregava seus ombros. Desde que fora promovida não pensava em mais nada que não fosse a satisfação dos chefes e alcançar metas. Sua vida girava em torno de planilhas, relatórios e cobranças, tanto por parte dos superiores quanto aquelas que ela mesmo precisava fazer aos colegas.

Esses, por sinal, passaram a odiá-la. Cochichavam pelos cantos, não a convidavam para a cervejinha da sexta… Mas ela mal tinha como lembrar-se de quando ocupavam a mesma linha hierárquica, pois as responsabilidades da nova função não deixavam tempo para isso. Agora suas supostas horas de lazer resumiam-se a jantares e festinhas dos clientes, onde era obrigada a sorrir sem vontade e bajular pessoas poderosas. Mas de dinheiro, não podia reclamar, pois era muito bem paga para isso. Quanto aos colegas… havia muitas chances de ela ter se tornado uma pessoa tão cretina quanto eles julgavam. Tudo pelo sucesso.

Mas mesmo sua ambição e desejo de construir uma carreira brilhante não estavam sendo suficientes para amparar seus problemas emocionais. Insônia, irritabilidade, cansaço extremo contornado à base de muito café… Naquele noite, por exemplo, enquanto os colegas se preparavam animados para o feriadão, ela digitava freneticamente e folheava relatórios em busca de informações que não conseguia encontrar. Por ela, passaria a madrugada ali, como fizera outras vezes, mas desta vez não seria possível já que o prédio seria isolado em poucas horas para uma dedetização.

Depois de passar muito do expediente, finalmente recolheu suas coisas e dirigiu-se ao estacionamento da empresa. Os pensamentos não paravam de atormentar sua mente, pensando em prazos que precisa cumprir. Enquanto os colegas já haviam deixado o prédio há horas, contentes pelos dias a mais de folga, ela alimentava o pensamento amargo de que o feriado era nada mais que uma perda de tempo.

Ao chegar no local onde o carro estava estacionado, entrou no veículo e deu partida. Nada. Tentou mais uma vez e nem sinal de o carro funcionar. Percebeu então que não havia o que fazer: o prédio passaria todo o feriado interditado e naquele horário não tinha como encontrar alguém que ajudasse a resolver o problema. Desesperada com a situação, bateu com as mãos no volante e deu um grito solitário. Antes que começasse a chorar ou quebrasse algo no veículo, segurou com força o volante, respirou fundo e arrumou o cabelo. Precisava se recompor, afinal, alguém poderia vê-la naquele estado. Sim, havia se tornado paranoica.

Decidida a pegar um táxi e tentando não pensar sobre como passaria tantos dias sem carro, dirigiu-se a uma praça. Ao atravessar a rua e passar em frente ao bicicletário, uma voz estranhamente familiar chamou seu nome. Era uma colega de trabalho que havia entrado junto com ela na empresa, e que estava destrancando uma bicicleta. Lembrou-se de que antigamente as duas eram muito próximas e constantemente trocavam confidências. Após a promoção, se afastaram, e agora nem se lembrava mais quando tinha sido a última vez em que haviam conversado.

– Ei, você está saindo só agora? – disse a colega enquanto abotoava o capacete.

– Pois é… meu carro quebrou e eu vou ter que ir de táxi para casa. Mas, vem cá… você vem trabalhar de bicicleta?

– Sim! Já tem uns quatro meses. Não aguentava mais os engarrafamentos e, além disso, é bom para relaxar e fazer exercícios. Eu pensei que você já sabia. Eu até contei quando pensava em comprá-la, lembra?

– Ah, é verdade! – fingiu lembrar.

A colega sabia que ela não recordava, embora tentasse disfarçar. A situação ficou um pouco desconfortável, e as duas ficaram num silêncio incômodo por alguns segundos.

– Bom, é isso. Tenho que pegar o táxi. Bom feriado!

E se virou, mal fitando a colega nos olhos. Foi quando avistou o ponto de táxi e, atônita percebeu que os taxistas estavam bebendo e rindo.

– Mas que p… ?

– Você vai arriscar ir com um deles?

Tomou um susto e viu que a colega ainda estava atrás dela, e que também havia percebido os taxistas embriagados. Eles riam e brincavam uns com os outros.

– Isso é um absurdo! Será que não tem fiscalização? Esses malucos vão acabar matando alguém – e começou a esbravejar à beira de um ataque de nervos.

A amiga começou a observá-la e seu olhar passou de preocupação a pena. Era óbvio o que a promoção da colega havia feito a ela.

– Olha só, já está tarde e não é legal você ficar aqui sozinha. Porque não sobe na minha garupa? Sua casa fica no caminho da minha. Quer dizer… você ainda mora no mesmo lugar, né?

Pasma com o convite, ela olhou para si. A roupa formal, bem engomada… Pensou nos cabelos escovados. Que cena ridícula, voltar para casa na garupa de uma bicicleta. E se a vissem?

Como se adivinhasse o que ela estava pensando, a colega insistiu:

– Olha só, ninguém vai te ver. E eu prometo que também não vou contar. Pega a carona comigo, aí você vai chegar mais cedo em casa, vai poder descansar e resolver o lance do seu carro com calma, amanhã.

E completou:

– Lembra dos velhos tempos. Leva na brincadeira, vai.

O comentário trouxe à tona um turbilhão de lembranças. Lembrou de quando era estudante e entrou na empresa cheia de inseguranças. De quando bebia com os amigos e se divertia. Chegou a ir trabalhar virada, depois de ir para a balada direto do expediente e voltar em casa só para um banho e uma muda de roupa. A colega havia lhe acompanhado em muitas daquelas loucuras, que hoje ela se imaginava incapaz de realizar. Uma carona numa bicicleta não era nada diante de tudo o que haviam passado juntas. Mas ela ainda hesitava.

Desistindo de oferecer a ajuda, a antiga amiga despediu-se e se virou.

Foi aí que ela repensou. E se aceitasse? O que poderia acontecer?

– Espera! Eu topo! Mas vai devagar, por favor. Tenho medo de cair.

A colega a fitou por um instante e sorriu em seguida.

– Legal! Me dá sua bolsa para eu colocar no meu cestinho. Aí você fica com as mãos livres para se segurar.

Depois de guardados os volumes, se acomodaram na bicicleta e a pedalada começou. Experiente, a colega não precisava se esforçar tanto para levar o peso das duas.

– Me avisa se você cansar que eu vou andando.

– Pode deixar!

Enquanto percorriam o caminho, ela se sentiu algo que há muito não vivenciava: contemplação. Não precisava resolver nada, não precisava prestar atenção no trânsito ou resolver qualquer problema. Bastava aproveitar a viagem, observar o caminho, as luzes da cidade, as pessoas… O som que a bicicleta fazia a cada giro no pedal a colocava quase num estado de meditação, como se fosse um mantra.

E aí os pensamentos vieram… lembranças e sentimentos intensos. Aquilo tudo estava valendo a pena? Sentia falta dos amigos, de se divertir. De relaxar. Nunca quisera ser odiada, nem planejou trilhar o sucesso por cima de ninguém. Como havia chegado naquela situação?

Ela não se lembrava.

Sim, o sucesso era almejado. Ela havia conquistado muitas coisas, mais que imaginara ter naquela idade. Mas faltava algo. Sentia culpa, tristeza, vontade de chorar e de ser abraçada. Sentia-se extremamente só.

Então um vento frio tocou seu rosto e seus cabelos. Ficou despenteada. E foi bom.

Observou uma criança com sua mãe na calçada, comendo pipoca. Sorriu.

Aos poucos, foi relaxando. Como se aquela fosse uma oportunidade de ser só um pouquinho feliz. Como se o vento, a cidade, a bicicleta e a amiga a estivessem acalentando. E ela deixou que um pouco de felicidade amornasse seu coração.

Aos poucos, as lágrimas vieram. Emocionada, permitiu-se esquecer os problemas, a culpa que sentia. A maldita culpa que a paralisava e a castigava a cada instante. Por não ter tempo para a família, para o namorado, para ela mesma.

O sorriso foi se tornando maior, molhado pelas lágrimas. Não tinha ninguém vendo, ela não precisava se esconder. Sentia-se livre, quase que trapaceando os olhares de julgamento de seus chefes ou de qualquer outra pessoa.

Foi aí que uma gota de chuva molhou seu rosto. Depois mais uma e outra. Uma chuva começou intensa e subitamente, misturando-se às lágrimas que ela havia derramado.

A amiga parou e disse:

– Nossa, que louco! Vamos nos abrigar embaixo do toldo daquela loja enquanto a chuva passa?

Ela então voltou a ser, por um instante aquela pessoa ousada e que tinha fome de alegria de outrora.

– Ué, pensei que você adorasse tomar banho de chuva!

A colega então a observou e a reconheceu, por baixo de toda aquela carapaça que havia criado. Sorriu para ela e voltou a pedalar.

– Tá bom, então! Vamos lá!

A chuva continuou caindo. Na garupa, ela levantou o rosto para receber as gotas geladas. Chorava, enquanto os cabelos escovados eram molhados e a impecável maquiagem derretia. Com o frio da chuva, os seios estavam arrepiados e os mamilos se insinuavam na camisa cada vez mais transparente e grudada à pele. Sorria muito, ao mesmo tempo em que estava aos prantos.

Abriu os braços para a noite e para a chuva.

Deixou lavar.

Um abraço e vamos pedalar!

Testei a capa!

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Uma tempestade de sentimentos antes de experimentar a capa

Um monte de gente me procurou para saber se a capa tipo poncho que comprei pelo Ebay é boa mesmo, mas eu ainda não tinha testado. Na verdade, achei que só usaria o acessório no ano que vem, já que o clima aqui em Fortaleza estava mais quente que fogo de castanha.  Porém, começou a chover um pouco pela manhã e à noite ultimamente, e eis que, na semana passada eu tinha um compromisso e o tempo estava chuvoso. Grande oportunidade de matar nossa curiosidade a respeito da eficiência da capa!

Mas, logo que saí pela manhã, parou de chover. Então coloquei capa e chinelo dentro da bolsa, para o caso de alguma surpresa na volta. E eis que, lá pelas 18h,  o tempo fechou. Mas tipo, fechou muuuuito. O céu escureceu do nada e rolou um vento fortíssimo. Aí, pensei: Pronto! Armagedon! F****. Antes mesmo de chegar até onde tinha guardado a Shamira, tive que vestir a capa e colocar o chinelo. E eu não vou mentir pra vocês: foi bem ridículo.

Acontece que a capa é um negócio enorme, volumoso, sabe? Eu me senti uma barraca ambulante ou ainda, um minion azul do League of Legends. E acho que algumas pessoas riram de mim. rsrsrs O bom é que com certeza não dava para me reconhecer (a não ser que fosse um leitor que soubesse da capa) e com exceção do meu rosto, fiquei protegida. As mangas da capa são um pouco curtas, por isso, pus os braços para dentro. Bolsa, corpo e roupa ficaram sequinhos até eu chegar onde tinha deixado a bike.

De bike na chuva

Tirar a bicicleta vestida nesse trambolho não foi fácil. Muito plástico, muito volume. Um saco. Me atrapalhei muito com a chave escorregando e se perdendo no meio de tanto plástico azul, mas consegui abrir a tranca. E antes de sair, tirei as fotos que ilustram este post. Será que eu estava tensa? rsrsrs

Para  minha enorme sorte, apesar do climão digno de Ororo, não choveu tanto assim. Porque seria muito desafiador pedalar na chuva (algo que há muito eu não fazia), à noite e de capa nova. Então é como se eu tivesse escolhido o level médio de dificuldade.

Primeiro pedalei com os braços para fora da capa, por baixo das mangas, e não foi muito legal. As pontas que sobravam ameaçavam prender na corrente e nos freios, com frequência eu abria sem querer os botões que ficam na lateral da peça e tinha que ficar dando um jeito de abotoar quando chegava no semáforo fechado.

Então resolvi colocar a parte da frente cobrindo a mesa da bicicleta e pus os braços para dentro da capa. Foi aí que todo o excesso de plástico começou a fazer sentido. Com a peça mais esticada, não tinha tanta ponta sobrando, a mobilidade das pernas ficou muito mais eficiente e sem ameaçar abrir o tempo todo. Quando cheguei na ciclovia e senti que podia parar com mais tranquilidade, peguei a parte de trás da capa e cobri o cestinho, protegendo a minha bolsa (esqueci de levar sacola para guardá-la). Falando sério, não tem a menor comparação com a experiência de pedalar com capas comuns, que têm botões na frente e abrem o tempo todo. Em vários momentos me peguei pedalando rápido demais, por causa do conforto, mas diminuía a velocidade para não cair no chão molhado.

Problemas

– Achei que a movimentação da cabeça ficou prejudicada, pois com o capuz cobrindo o capacete, tinha dificuldade de olhar para os lados e para trás. Não sei se é apenas uma questão de costume.

– Com a capa cobrindo a mesa, a parte traseira da bicicleta e o capacete, acabei ficando quase sem lugar para colocar luzes. A única que eu usei foi na frente, presa no capacete e morrendo de medo de o plástico a cobrir sem que eu percebesse. Apesar de a capa ter fitas refletoras, como eu não vi em nenhum momento o efeito (já que eu estava a usando, né) fiquei muito insegura. Afinal, na chuva, a visiblidade é prejudicada e eu queria mesmo era brilhar muito.

– O mesmo problema das luzes ocorre com a buzina. A minha é tipo trim trim, fica na mesa e achei que o som ficou abafado por causa da capa em cima. E eu nem me atrevo a usar apito. Sei que é muito eficiente e que é super usado por vários ciclistas, mas francamente não quero pedalar com nada na boca e também sinto certo nojinho de apito. #blogueirafresca

Eu uso óculos e achei um saco a lente cheia de respingos. Acho que da outra vez que pedalei na chuva usava lentes de contato e funcionou bem mais. Dessa vez precisei parar de vez em quando para dar uma secada. Atenção, gênios: inventem lentes de óculos à prova de chuva ou uma forma de instalar pequenos pára-brisas. #alôka

Vantagens

– A movimentação das pernas é muito tranquila e confortável;

– Protege a bicicleta e os objetos trazidos;

– Não senti muito calor a mais e de vez em quando recebia uma lufada de ar que entrava pelas aberturas da capa (importante lembrar que estava pedalando à noite, não sei como seria durante o dia).

A roupa e eu chegamos muito sequinhas em casa. Nem mesmo tinha grandes manchas de suor, o que imaginei que aconteceria por causa do plástico abafado.

 

É isso. Desculpem pelo post ter ficado tão grande, mas tentei explicar bem direitinho as minhas impressões. No geral, gostei muito de utilizar a capa e acho que parte do desconforto que senti foi causado pela insegurança e nervosismo. Muitos amigos ciclistas dizem que pedalar na chuva é libertador e muito gostoso, mas eu sou uma daquelas pessoas que acha que dia de chuva tinha que ser feriado. Sem falar que, por causa da minha rinite alérgica, estou fungando até agora. Rsrsrs Ainda assim, é bem melhor estar de bicicleta em dia de chuva do que preso no engarrafamento ou num ônibus abafado, né?

Se vocês comprarem a capa pelo Ebay, sugiro que façam isso logo para estarem preparados quando as chuvas do início do próximo ano chegarem. 😉 Outra dica é testar capas compostas por calça e camisa, tipo aquelas de motoqueiro. Não sei se dá certo para todo mundo, mas não custa tentar.

 

Um abraço e vamos pedalar!

Chegou!! Capa de chuva (poncho) para pedalar

Se alguém lhe disser que não dá para pedalar na chuva, é só responder: aí dentu! #cearensês

Se alguém lhe disser que não dá para pedalar na chuva, é só responder: aí dentu! #cearensês

Pela primeira vez, uma compra minha no Ebay deu certo! Finalmente chegou minha capa modelo poncho, específica para quem pedala. Fiz a compra há cerca de três meses e já estava achando que não ia vir, porque no ano passado pedi umas coisas e elas nunca chegaram. Agora que deu certo, me animei para tentar comprar uma galocha também, para deixar os pés bem protegidos durante as pedaladas na chuva.

Como os dias têm sido muito quentes, ainda não tive a chance de testar, mas quem se animou mesmo com ela foi o maridão, que pediu para ser o modelo do Look Cycle Chic de hoje. Ele se divertiu e atuou bastante durante nossa sessão de fotos. American Next Top Model’s perde, viu? #abreoolhoTyra

Look Cycle Chic Capa para pedalar marido Potô Francisco Barbosa Sheryda Lopes De Bike na Cidade (4) Look Cycle Chic Capa para pedalar marido Potô Francisco Barbosa Sheryda Lopes De Bike na Cidade (5) Look Cycle Chic Capa para pedalar marido Potô Francisco Barbosa Sheryda Lopes De Bike na Cidade (6)

A capa tem umas partes cinzas, que prometem refletir a luminosidade e deixar o ciclista mais visível no trânsito. Mesmo com esse recurso, pretendo usar todas as luzes que puder, para que os motoristas me vejam meeeesmo.

Apesar de ainda não ter pedalado com a capa, já tenho minhas primeiras impressões:

– O material (PVC) é igual ao da que eu já tenho, que é insuportavelmente quente. Maaaas como o modelo parece permitir um pouco mais de ventilação, acredito que vai proporcionar uma experiência mais agradável.

– Depois que chegou é que reparei o quanto as mangas são curtas. Não sei o que pensar sobre isso, se não tem problema molhar os braços ou ainda, se é possível pedalar com as mãos por baixo da capa, protegendo não apenas o meu corpo, mas também algumas peças da bicicleta.

– Queria taaanto que a capa fosse lilás… 😦

Com braços de fora

Com braços de fora

Capa cobrindo a mesa

Capa cobrindo a mesa

Globo tá perdendo esse menino

Globo tá perdendo esse menino

Cumprimentando as pessoas

Cumprimentando as pessoas

Obviamente estou louca para experimentar o brinquedo novo, e olha que eu geralmente torço para que não chova. Sei que precisamos de chuva, principalmente com a crise hídrica, mas como minha rinite ataca toda vez que chove ou aparece aquele tradicional mormaço, confesso que tenho um certo medinho. Agora estou torcendo para cair água e feliz, porque acredito que a experiência de pedalar na chuva será bem mais prazerosa e me sentirei mais segura e confortável. E claro que vou contar para vocês como foi 😉

Conte aí nos comentários o que achou da minha nova aquisição e, se você já pedala na chuva, compartilhe dicas! Ah, e avise se quiser ver mais Looks Cycle Chics do maridão. 😉

Clique nas imagens para ampliá-las.

Um abraço e vamos pedalar (chova ou faça sol)!

Capas e protetores de sapatos para ciclista

pedalnachuva-bol1

Apesar do calorão que está fazendo, as chuvas em Fortaleza começam a aparecer e muita gente se pergunta como pedalar na chuva. Sim, é possível, mas se a intenção é manter-se com a mesma roupa ao chegar ao destino, o ideal é adquirir uma capa de chuva apropriada.

No ano passado, eu comprei uma capa no Centro, dessas comuns, que são abotoadas na frente, mas não deu muito certo. Durante a pedalada ela ficou desabotoando o tempo todo, me deixando desconfortável e claro, molhada. Além disso, o material plástico do qual a capa é feita é tão pesado, que eu fiquei mais molhada de suor do que de água da chuva, já que o corpo não tinha contato com ventilação e o próprio exercício físico produz calor. Resultado: a tal capa está enfiada no fundo do guarda-roupa e eu nunca mais a vi.

A capa mais indicada para os ciclistas é do modelo poncho, que permite a movimentação das pernas. Além disso, algumas tem um modelo que permite que todo o guidão da bicicleta seja coberto, protegendo melhor ciclista e bicicleta e evitando que a peça escorregue. Esse é o modelo da peça que quero, mas a maior parte dos ciclistas com quem conversei só encontrou pelo Ebay, e eu sou terrível com esse site. Só tentei fazer uma compra nele uma vez, e deu errado, e desde então nunca mais tinha parado para tentar de novo. Até semana passada, quando fiz o pedido com um vendedor alemão.

poncho ebay

 

Esta é a capa que pedi, mas confesso que estou insegura, pois não sei se ela é larga o suficiente para proteger durante as pedaladas, e também não sei direito de que material é feita. O que mais me atraiu nela foi o fato de ela ter faixas refletoras, que são sempre bem vindas para se locomover no trânsito e ainda mais quando estamos na chuva e com visibilidade prejudicada. Outro fator que despertou o interesse foi o preço, já que ela custa cerca de R$ 27. Agora, o jeito é esperar para ver se vai dar certo e também se vou usá-la ainda este ano, já que as compras internacionais costumam demorar bastante para chegar. Vou me manter otimista, mas caso não funcione, vou adquirir outra para usar no próximo ano, enquanto sonho com a linda peça da Iva Jean, que parece ser super confortável e além disso é linda, linda, linda, linda… Mas não cabe no meu bolso 😦

Outro modelo legal de poncho. Um amigo tem e gosta muito, mas achei muito cara

Outro modelo legal de poncho. Um amigo tem e gosta muito, mas achei muito cara

Pés sequinhos

Agora estou começando a namorar no Ebay algumas galochas e protetores de sapato. Lembro que no ano passado minhas pernas e pés tomaram muitos respingos de chuva e lama, e gostaria mesmo de protegê-los. Navegando, encontrei alguns modelos bem interessantes e inusitados, alguns deles até para salto alto! Acho que não usaria, pois é bem difícil eu usar salto em dias comuns, imagine só, na chuva, mas acho que vale a dica.

Achei uns bem interessantes, principalmente esses que são mais “coladinhos” pois acredito que se o cano da galocha/protetor for folgado, pode atrapalhar a pedalada. Também gostaria de ter um modelo mais longo, para proteger melhor as pernas e a barra da calça, se for o caso.

Atenção

Além da questão do vestuário, pedalar na chuva também pede alguns cuidados relativos à segurança. No Vá de Bike e na Revista Bicicleta você encontra dicas bem legais. 😉 #ficadica

 

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Arte da vitrine promoção de bike na cidade pulseira tela bicicleta sheryda lopes

Um abraço e vamos pedalar!