Look de bike – Legging e boina em Recife

Look de Bike em Recife Vestido boina De Bike na Cidade by Valéria Pires (3)

Olha essa arte que incrível! O desenho é formado por latinhas velhas de tinta e o nome do artista é Junior Zurdo

Oiê! Fuçando o meu computador encontrei várias fotos do ano passado, entre elas da viagem que fiz a Recife para o I FNEBICI e que ainda não foram publicadas por aqui. E aí que encontrei este look super legal que foi fotografado pela maravilhosa Valéria Pires, uma bike anjo recifense que é a coisa mais maravilhosa dessa vida. Ela foi quem me hospedou durante os dias do evento e a simpatia e generosidade dessa querida me conquistou tanto que eu sinto muita saudade de seu carinho até hoje.  Aliás, também tô devendo falar mais sobre ela aqui no blog.

Como a Lela (apelido carinhoso) é uma empreendedora, nós tivemos pouco tempo juntas, então aproveitamos a manhã da minha viagem para Fortaleza para passear por Recife e tirar fotos. Ela me mostrou alguns dos lugares mais bonitos da cidade, com muita arte urbana e cores deliciosas. Cores, aliás, que eu fiz questão de colocar no meu look, que tem esse vestido amarelo bem alegre! Para contrapor, casaquinho escuro de bolinhas e legging preta, inaugurada nesse dia. E o meu All Star branco, comprado para a viagem porque eu tava querendo muito um tênis dessa cor.

Na cabeça, a boina que eu peguei emprestada do Yargo Gurjão, do Coletivo Nigéria. Acessório, inclusive, que eu adorei, e que eu fiquei muito a fim de roubar comprar uma pra mim. Já tem uns meses que eu parei de usar capacete (em outro momento a gente entra nessa polêmica) e não tinha pedalado de chapéu ainda. Pessoal, faz uma diferença incrível no bem estar da gente e na sensação do rosto. Até os olhos ficam mais descansados. Mas tem que ser um chapéu de tecido grosso e frio, que nem essa boina, porque eu já pedalei de boné de nylon e a impressão que dá é que a cabeça da gente vai fritar.Look de Bike em Recife Vestido boina De Bike na Cidade by Valéria Pires (1)

A pedalada foi muito confortável porque os tecidos de todas as peças que escolhi são muito leves.  Mesmo a legging sendo escura e o casaco também, e com o sol que estava fazendo, não rolou de eu ficar tão suada. Acho que também porque pedalamos pela região do Centro de Recife, que é bastante arborizada e fresca – Prefeitura, favor deixar essas árvores maravilhosas onde elas estão, por favor!Look de Bike em Recife Vestido boina De Bike na Cidade by Valéria Pires (2)

Look de Bike em Recife Vestido boina De Bike na Cidade by Valéria Pires (4)

Vocês conseguem imaginar o quanto eu estava feliz nesse dia?

Gostaram das fotos e do look? Foi uma delícia fazer este post e revisitar essas lembranças. Ah, e compartilhando com vocês, fica melhor ainda!

Um abraço e vamos pedalar! 

 

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FNEBICI 2015 – Minhas impressões sobre o trânsito de Recife

Foto de Ênio Paipa

Nosso grupo, poucos minutos após sair do aeroporto de Recife

Como vocês já devem saber, recentemente estive em Recife para participar do primeiro Fórum Nordestino da Bicicleta (Fnebici). Passei quatro dias na capital de Pernambuco utilizando a Shamira como meio de transporte, e nesse tempo tracei algumas impressões sobre o trânsito da primeira capital onde pedalei, fora Fortaleza, e a maneira como ela trata os ciclistas.

Saí do aeroporto em um horário próximo do de pico, no final da tarde, e um Bike Anjo local, o querido Ênio Paipa, aguardava a mim e outro participante do Fórum, junto com um cicloativista de outro estado. O grupo formado por quatro pessoas pedalaríamos pela praia de Boa Viagem até a região do Centro, num pedal planejado para já irmos conhecendo Recife.

Já a poucos metros do aeroporto, um viaduto surgiu à nossa frente e com ele o primeiro desafio para mim, que evito viadutos em Fortaleza não só pela impaciência dos motoristas, mas principalmente por ter medo de altura. E não tive como pensar muito, o jeito foi seguir pedal acima: Na maior parte das vezes não há como evitar viadutos e pontes na cidade pois nem sempre (ou nunca?) há opção de passar por baixo ou escolher uma rua alternativa. E la fui eu, com medo mesmo e amparada pelos ciclistas experientes que me acompanhavam.

Nas ruas e avenidas pelas quais passamos até chegar à ciclovia que acompanha a orla de Boa Viagem, observei o quanto os motoristas de Recife buzinam. Não sei se tive essa impressão por estar reparando em tudo, mas cheguei a pensar que eles usam a buzina até mais que os motoristas  de Fortaleza. O carro à frente demorou um segundo para arrancar no sinal verde? Buzina. Ciclista “atrapalhando”? Buzina. Chegou o verão? Buzina. Isso irrita muitíssimo e dá ao trânsito um imenso tom de hostilidade.

Já anoitecendo e depois de sair da ciclovia da Boa Viagem, o trânsito começou a ficar mais denso e violento. O que mais me surpreendeu foi a forma como as vias da cidade são organizadas e a velocidade dos motorizados. É mais ou menos assim: Você está numa avenida rápida e de repente, numa curva, ela desemboca numa via de quatro pistas ou mais, e também rápida. E lá vai o grupo de ciclistas, acompanhando o fluxo, se juntar aos carros nas faixas do meio, já que nem sempre é possível chegar às faixas dos bordos de cara.

Fiquei muito assustada, porque estava numa cidade diferente da minha e por isso não sabia o que esperar. Aqui em Fortaleza, evito ao máximo esse tipo de via (já cheguei a ficar paralisada ao tentar atravessar a Engenheiro Santana Junior por causa dos túneis). Geralmente paro, espero o sinal fechar e utilizo faixas de pedestres para ganhar vantagem dos carros e acessar as pistas de forma mais tranquila. Ou ainda, já sei o que me espera à frente e já vou preparada, sinalizando com as mãos e me posicionando na faixa. Mas em Recife, cada curva era uma surpresa e quase nunca havia faixas de pedestre, semáforos e calçadas para ajudar.

Finas, muitas finas

Logo na primeira noite em Recife, ainda com a bagagem na garupa da Shamira, já recebi muitas ameaças no trânsito. Muitas finas e uma explicitamente de propósito, uma manobra de uma saveiro toda adesivada de uma empresa (ou seja, motorista profissional) que tentou encostar o retrovisor na bicicleta para me derrubar ou assustar. O mais louco é que em Recife tem umas ciclofaixas TEMPORÁRIAS pintadas no chão! Elas só funcionam aos domingos e feriados, mas permanecem na pista nos demais dias da semana, diferente das ciclofaixas de lazer de Fortaleza, que são construídas com cones e saem após o final do evento. Estávamos usando essas ciclofaixas mesmo não sendo fim de semana e isso provocou a ira de muitos motoristas, que abusavam das finas. Depois sai post especificamente sobre essas ciclofaixas imaginárias.

As ameaças me assustaram. Claro que já passei por isso em Fortaleza, mas por ter recebido tantas finas e buzinas em um curto intervalo de tempo, tive a impressão de que em Recife os motoristas são mais hostis que em Fortaleza. E também de que eram todos assim.

E lá se vai mais um dia…

Só que estava enganada. No dia seguinte, pedalei sozinha algumas vezes. Confesso que saí um tantinho ansiosa, por medo de me perder (e me perdi) e ainda com as buzinas e finas na lembrança. Mas aí me deparei com um Centro lindamente arborizado, uma temperatura amena, lindos prédios antigos, a vista para o rio, as belas pontes que cortam o Capibaribe, paredes grafitadas, a visão do mangue… e muitos motoristas gentis. Vários deles me deram a preferencial, esperaram que eu entrasse nos cruzamentos antes deles, ou que eu passasse antes que saíssem das garagens e estacionamentos. Se as buzinas na noite anterior eram de impaciência, à luz do dia recebi várias suaves e curtinhas, junto com gestos de “pode passar” e sorrisos no rosto.

Juntando isso tudo ao lindo sotaque de Recife, que ouvia a cada vez que eu pedia informação, com seus “tís” e “dís” livres de qualquer chiado e o “visse” no final das frases, que parece uma beijo na bochecha, percebi que na noite anterior tinha ouvido apenas uma breve parte da sinfonia que é aquela cidade. E o que é uma cidade senão uma grande música cheia de tons e nuances diferentes? Sim, ainda há notas desafinadas e instrumentos precisando de ajustes. Mas como fazemos todos parte daquela grande orquestra (eu mesma tive minha participação durante esses dias) cabe a nós irmos afinando nossos instrumentos e tocando nossa parte da melhor forma possível. E no fim, podemos juntos alcançar o frevo perfeito. E quem sabe até com uma dose generosa de maracatu, mangue beat e um forrozinho cearense, acrescentado por uma ciclista gaiata e forasteira que eventualmente visite a cidade.

 

Um abraço e vamos pedalar!

Estamos de volta!

DSCF0093

Pessoal, quanta coisa linda Shamira e eu vimos nos últimos dias. Chegamos ontem em Fortaleza e com muita vontade de ficar por mais tempo e tentar beber mais dessa terra que é Recife. Estou inebriada ainda e doida para contar muitas coisas para vocês. Porém, ainda estou cansada da viagem e preciso respirar e organizar todo o material. Por hora, agradeço a Pernambuco por me receber e agradeço também a todos e todas as cicloativistas, amigos e anjos que surgiram em meu caminho e que ajudaram a concretizar essa jornada. E que vontade de pedalar por novos estados, gente! Shamira e eu estamos famintas por novos horizontes!

Então, aguardem por mais notícias dessa viagem que eu volto logo, visse?

Um abraço e vamos pedalar!